Vou sozinha. E agora?

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A coluna “Eu vou sozinha” está aqui para quebrar o tabu e inspirar as mulheres a viajar sozinha – seja para desbravar, para se conhecer, para sair da zona de conforto ou só porque não conseguiu uma companhia para as férias. Vamos entrar na corrente por um mundo mais aberto e respeitador em que todas nós possamos transitar sem esquentar a cabeça! Essa semana, leia a experiência da Fernanda Luz, nossa nova colaboradora:

Eu não sei exatamente quando isso começou, mas desde pequena sempre adorei viajar. Nas férias a gente nunca ficava em casa, era arrumar as malas e vupt – pra mim não importava se o destino seria na praia, na serra ou na fazenda. Mesmo quando meus pais não iam, sempre consegui ir na mala junto com os tios e primos mais velhos!

Tem gente que quando é perguntado sobre o que faria se ganhasse na loteria nem hesita em dizer que compraria uma cobertura na frente da praia ou o carrão conversível da moda, ou que tomaria um banho de loja… Sinceramente, quando eu me imaginava ganhando uma bolada, a primeira coisa que eu pensava era que iria viajar o mundo e depois veria o que fazer com o resto do dinheiro. Vamos ser claros, não é que eu não tenha nenhuma aspiração material – mas é uma questão de prioridade, saca? Nem é que eu não ajudaria os familiares e amigos necessitados, afinal de contas sou bem boazinha!! Há há há  (aquela risadinha sarcástica e maléfica, pls!)

A questão é que conhecer novos lugares, novas culturas, descobrir cantinhos escondidos ou pontos turísticos desgastados – é isso faz meu olho brilhar. Pra mim, viajar é parte essencial da vida. Ver paisagens exóticas, ouvir sotaques novos, ter contato com novas culturas, com jeitos diferentes de ver e viver a vida, me colocar a prova, testar meu GPS interno, me perder, me encontrar– tudo isso me preenche de uma forma que eu nem sei explicar. É como dizem: “viajar é trocar a roupa da alma”.

Quando eu entrei nesse processo de me revisitar e reanalisar minhas escolhas, tive que explicar pra mim mesma o que eu estava esperando pra cair na estrada. E nem eu mesma acreditei nas desculpas que usava – tudo não passava de mimimi barato!!! Eu já tinha tomado a decisão de sair do mundo corporativo e trabalhar com Yoga, então por que me manter num emprego que não era o que eu queria por um período indeterminado? Solteira, sem filhos, com maturidade suficiente pra bancar essa decisão e sem nada que me prendesse onde estava, resolvi que era hora de cair na estrada. E assim foi.

Pode parecer que o processo foi rápido, mas não foi uma decisão assim de uma hora pra outra não. Isso já era um sonho antigo e eu sabia que iria precisar de grana pra realizá-lo – por mais que eu pretendesse fazer uma viagem de baixo custo. Então, só pra dar uma dimensão, essa decisão do parágrafo acima eu tomei ainda em 2014, por volta de setembro/outubro – mas a viagem ficou para o segundo semestre de 2015. Assim eu conseguiria me organizar melhor – financeiramente, psicologicamente, emocionalmente, fisicamente e todos os outros “mentes” possíveis.

Eu nunca tinha viajado sozinha na vida, mas sabia que uma viagem assim – sem data certa de volta e sem roteiro fechado – me exigiria estar disposta a estar só comigo mesma, porque não ia ser fácil arrumar alguém que estivesse disposto a isso. E vamos ser sinceras – eu estava viajando pra mergulhar mais ainda em mim, então eu precisava mais era de momentos solitários. Mas pra não correr o risco de surtar logo de cara, o meu primeiro destino foi um lugar já conhecido, onde eu já havia morado, e já me sentia relativamente OK de desfrutar sem ninguém. Fiquei uns dias sozinha, e depois, no próximo destino, encontrei algumas amigas. Depois mais um tempo só, e aí no outro destino encontrei um primo. Mais uns dias de solidão, e fiquei com uma amiga dele – que eu não conhecia, mas que trouxe uma certa sensação de conforto. Então o primeiro mês da viagem foi assim, oscilando entre o mergulho profundo em mim e as gargalhadas compartilhadas com pessoas queridas. Esse processo de ir me acostumando com a idéia de viajar sozinha foi acontecendo aos poucos, a medida que eu ia me afastando da minha cidade, da minha zona de conforto. Quando fiquei sozinha de vez, já estava bem mais tranquila com isso. Tranquila pra entender quando eu estava querendo ficar só, e quando eu estava aberta pra curtir, conhecer gente nova, brincar, me divertir com um monte de gente que eu nunca tinha visto na vida, mas que depois de poucas horas de convivência pareciam amigos de infância. O fato de ser mulher, pra mim não fez nenhuma diferença. Tomei cuidados, claro, mas sem neura.

Acho que a parte mais legal de viajar sozinha é que você pode escolher quando estar sozinha e quando estar acompanhada. Depende de você, da sua abertura. Se quiser, você consegue companhia pra tudo. Se preferir, vai descobrindo cada cantinho dos lugares onde passa no seu ritmo, no seu tempo. Só ou acompanhado. Curtindo, relaxando, sem estresse, sem brigas. Como a vida tem que ser. :)

O que achou? Conta aqui pra gente :)

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Sobre o autor

Fernanda Luz

Depois de alguns anos batendo cabeça pra tentar se encaixar no mundo corporativo, deixou tudo pra trás, tirou um período sabático e foi conhecer um pouco desse mundão. Passou por 17 países e enquanto viajava foi percebendo que mais importante do que o destino, era a coragem de se jogar no desconhecido. Entendeu que tem sempre algo novo pra ver, mesmo que a gente esteja olhando pra uma velha paisagem que já faz parte da nossa história.