Nós somos nossa melhor companhia

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A coluna “Eu vou sozinha” está aqui para quebrar o tabu e inspirar mulheres a viajarem sozinhas – seja para desbravar, para se conhecer, para sair da zona de conforto ou só porque não conseguiu uma companhia para as férias. Vamos entrar na corrente por um mundo mais aberto e seguro em que todas nós possamos transitar sem esquentar a cabeça! Hoje,o texo gostoso da Mariana Carvalho que desbravou terras chilenas:

Novembro de 2015. Férias de 15 dias, e uma vontade maluca de viajar: Conhecer gente, uma nova cultura. Estar num país que eu não sabia me comunicar muito bem e ver qual é. E a intenção era ir eu, eu mesma, myself e Mariana.

Sempre tive a curiosidade de ver como me sairia numa viagem sozinha. Sozinha comigo mesma. Como me comportaria, o que sentiria. Já no avião vem uma sensação de liberdade indescritível, umas borboletas na barriga. (No final da história, vocês verão que o que menos fiquei foi sozinha.) O espanhol ou spanglish(como preferirem), estava daqueles: A gente se vira com uns gestinhos aqui e ali. Assim que cheguei tive alguns probleminhas com o hostel, onde minha reserva não estava aparecendo no sistema. Coisinha boba. Eles deixariam minhas malas guardadas ali num cantinho e depois me colocariam num quarto xis. Fui fazer meu tour pelo Cerro San Cristobal (um bondinho famoso do lado do zoológico que te leva para o Monte) pra ter uma vista panorâmica da cidade e confesso que a principio me senti estranha em estar ali sozinha, sem poder comentar com ninguém sobre as coisas legais. Pra me reconfortar, comprei uns cartões postais para amigos no BR, e na hora mesmo compartilhei o que precisava falar. Aí, descendo o morro, fui mentalizando que amigos novos por ali não seria de todo mal. Foi só eu chegar no hostel que meu pedido tinha sido realizado. Me colocaram num quarto que estava sendo ocupado por 3 meninos irlandeses. Companheiros de bebidas “ilegais” dentro do Hostel, foram minha companhia para os próximos 3 dias de viagem. Juntos fizemos um tour completo por Santiago: tour histórico de graça no centro da cidade; Pub irlandês no Pátio Bellavista; experimentamos Terremoto (bebida típica); fomos na Concha & Toro (vinícola); Cerro Santa Lucia, Café con Piernas(rs) e outros. Gastei meu inglês e ganhei muita risada em troca. Eles estavam indo para o Rio de Janeiro e São Paulo logo em seguida, então também dei algumas dicas do tipo – não se joguem na frente dos carros no Brasil pois eles tendem a não parar. E check, agora tenho anfitriões em Dublin. Voltando um pouquinho na parte que estava meio receosa em ficar sozinha; uns dias antes de ir, cadastrei minha viagem para o Chile no Couchsurfing. (Dúvidas sobre esse maravilhoso serviço de hospitalidade grátis, podem me perguntar). Acabei conhecendo um anfitrião que me aceitou por alguns dias na casa dele. Resolvi ficar para conhecer um Local, e também baratear os custos da viagem. Assim conheci Nicholás, um querido que queria praticar o Português dele e me ofereceu um quarto e me levou para a outra parte da cidade: Parque Bicentenário, Parque das Esculturas, Sky Center (recomendo)… Pelo aplicativo conheci também Andrea, uma garota chilena que adorava conhecer gente nova, dava aulas de Inglês no Chile e estava embarcando para Florianópolis e queria algumas dicas de lá. Fomos para um bar, ela me mostrou Pisco Sour e conversamos até hoje. Acabei voltando para o Hostel em Providencia para ver se conhecia mais gente, e nessa fui para o Palacio de la Moneda. Em alguns dias específicos eles fazem a apresentação do Cambio de Guardia (troca de armas com os oficiais, muitas trombetas, tiros com espingardas(?) e etc). Me enfiei na meiúca do povo e escuto um sotaque paulissssta puxado de um casal de amigos, com seus 28, 30 anos. Assim, do nada, os guardas começam a tocar “Aquarela do Brasil” (tipo WHAT?), e é claro que a faladeira aqui, foi puxar assunto: “hum, que engraçado eles tocarem isso aqui, rs! Vocês são de São Paulo?). E tcharã: Gabi e Felipe. Felipe este que odeia tomate tanto quanto eu, e a Gabi, que dentre 365 dias aleatórios, faz aniversário no mesmo dia do meu irmão – virou uma daquelas amigas que não pretendo desgrudar tão cedo. Uma amizade super inesperada. Eles, com mais uma amiga, coincidentemente estavam indo para meus próximos destinos da região: Mercado Central, Isla Negra, Valparaíso e Vina del Mar. Agreguei neles e lá estava eu com mais companhia. Nisso acabei conhecendo amigos americanos deles, e uma portuguesa divertidíssima. No meu retorno a Santiago, acabei ficando somente com a Gabi, e nos aventuramos por Cajón del Maipo (um dos lugares mais lindos que já vi) e conhecemos um brasileiro incrível de Pelotas (na época cozinheiro do restaurante do parque Cascada de las Animas) que estava aperfeiçoando sua culinária fazendo um mochilão pela América do Sul, com seus vinte e poucos anos, com perspectivas de vida maravilhosas, que eu nunca tinha escutado antes. Logo depois, fui para o Deserto do Atacama. Sozinha novamente. 24 horas dentro do ônibus pra ir e mais 24 pra voltar. A garota aqui foi achando que ia ter Graal, Frango Assado ou qualquer parada padrão em posto de gasolina que nem acontece aqui no Brasil, mas que nada. Viajei a ida toda com um pacote de cookies que tinha na bolsa, e uns doces assados de doce de leite que o senhor do meu lado ficava oferecendo insistentemente. rs. Comi com gosto, óbvio. Ah é, o Frango Assado que existe nesse trajeto é uma moça vendendo Empanadas fritas dentro do bus. – Fica a dica. Não há palavras que possam descrever o que é o Deserto, e quais as sensações que senti. Só digo que fui sem muita expectativa, mas que me surpreendeu em todos os aspectos.

Aventura no Chile

|Aventura no Chile|

A mistura de paisagens, de vegetações, areias e águas e a imensidão que é aquilo tudo. Conheci já na recepção do hostel (um hostel com chão de terra batida, chuveiro ao ar livre com teto de palha e cactos para todos os lados) uma brasileira que trabalhava lá… Muita gente. No meio de um passeio fadado ao tédio, conheci dois irmãos brasileiros baianos sensacionais com quem acabei posteriormente cruzando o Valle de da Luna a cavalo, e que só de lembrar deles, eu sorrio. Lá também quis passar um tempo comigo mesma. Perdida no deserto até me encontrar, sabe? Depois conheci um casal de amigos brasileiros que trabalhavam embarcados e me explicaram sobre as estrelas. Foi aí, olhando aquele infinito de estrelas que tem no céu de lá – que nem imaginamos que existem – que cheguei na conclusão que nós somos nossa melhor companhia, e que viajar sozinha é maravilhoso, e que te dá uma segurança que você nunca imaginou que poderia encontrar dentro de si mesma. Quando se viaja sozinha, você se sente aberta para conhecer mais pessoas, do que quando você está acompanhada, você se sente confortável com sua companhia. Você descobre um lado de si, e uma coragem, que você não sabe que existe. E é lindo. E na verdade, como podem ver, você só fica sozinho se realmente quer. E, da próxima vez que me perguntarem com quem vou viajar, vou responder, apenas: “Vou com os amigos que eu fizer por lá.”

Mariana no Chile

|Mariana no Chile|

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Sobre o autor

Mariana Carvalho

Aficcionada por viajar, descobriu que o mais incrível desse verbo era conhecer sorrisos novos, papear com estranhos e fazer amigos pelo Mundo. Foi pela primeira vez para os EUA realizar o sonho de vida e conheceu 16 estados diferentes. Depois foi se apaixonar pelo Chile e agora largou tudo e está embarcando para a próxima aventura: Europa.