A difícil tarefa de se comunicar!

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O que normalmente ninguém conta é o que se tem que fazer para correr atrás do sonho. Muitas pessoas só sabem que fulano mora lá e que ele é o maior sortudo. No entanto, sobreviver em um país distante ao seu tem muitos tropeços. Um exemplo disso é o contato com o idioma. Você pode achar que é fluente em inglês, mas só na hora do aperto é que você descobre que tem um mundo de vocabulário desconhecido!

Na minha aventura particular, escolhi o nível “hard”. Vim para um país no qual o idioma é um, e meu curso integralmente em outro – inglês (confesso aqui para vocês, que tentei fazer o curso por duas semanas em alemão, mas o nível foi “punk” e pedi para sair!). Peguei meu banquinho e me juntei a turma dos falantes natos em inglês.

Apesar de todo tempo dedicado a filmes, séries e leituras de sites e jornais em inglês, ainda não me sentia em uma posição confortável para falar aquele “novo” idioma. De certa forma existe um medo de falar, de cometer erros básicos e ser taxada como a burrinha da turma. Então, engoli meu orgulhinho e comecei a ter aulas de inglês para melhorar minha gramática, passei a ler livros em inglês como se fossem sobremesa, e mesmo assim, ainda me atrapalhava toda. Nesse momento, o interessante foi perceber que em meio aos meus amigos internacionais ninguém fala tão perfeitamente como eu achava e que o importante mesmo era me comunicar, interagir e me divertir com eles. E entre a falta e dificuldade de se comunicar foi também que surgiram as histórias mais engraçadas e as confusões mais absurdas. Hoje são lembranças boas que ainda me garantem risadas espontâneas ao lembra-las.

O inglês acadêmico, no entanto exige muito; há formas exatas de estruturar uma frase e palavras chaves para empregar o uso correto da língua. Além disso, no dia a dia de conversação é até simples se fazer entender. Mas ao fazer uma apresentação formal sobre um tema que até então você acreditava que dominava, é que se percebe o grau de dificuldade de se comunicar. Claro que o vocabulário é adquirido com o tempo, mas descobri que a gente só aprende mesmo quando está imergindo (ou afundando!). É nesse ponto que encorajo você, leitor, a encher a mochila e se jogar nesse mundo. Não há aventura ou aprendizado maior do que experimentar.

E como toda experiência não é só feita de momentos alegres e cheios de risadas, voltemos ao nível “hard” da minha aventura particular. Dentro da sala de aula utilizava 100% do meu inglês, mas da porta para fora, escutava somente…. Alemão! Sim, o idioma que assombra e que quando ouvido parece sempre que estão te criticando ou brigando com você. No entanto, aos poucos, você começa a gostar… e suas frases simples começam a se tornar perguntas e respostas. Com aulas extras durante a semana, comecei aos poucos perdendo o medo de falar. As regras de gramática vão se fixando, e a naturalidade em pedir um café na padaria é quase tão perfeita quanto falando em português (só falta agora conseguir pedir o pão na chapa).

Hoje ainda frequento aulas. E a verdade é: aprender um novo idioma não é nada fácil e (acho que) não acaba nunca! Moro já há dois anos no país, e ainda tenho dificuldade em me expressar, em acompanhar algumas conversas (sim às vezes escuto, mas o cérebro desliga [= paro de prestar atenção]), e em me fazer entender. Não tenho mais medo de falar, confesso. Saio falando, me comunicando, com erros ali ou acolá. Pelo menos eu acho que estou! E a difícil tarefa de se comunicar vai diminuindo gradualmente. Agora, espero só o momento em que vou passar do nível “hard”. Afinal, a vida é cheia de fases, e a gente tá aqui para conquistar cada uma…

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Sobre o autor

Bárbara Bayer

Relações públicas, viajante de carteirinha e locatária de uma kitnet na Alemanha. Joga amadoramente handball e, quando ninguém está olhando, faz dancinhas bizarras, seja para comemorar, para espantar o frio ou só porque lembrou de uma música que adora. Escreve a coluna Alltag, sobre sua vida em Karlsruhe, na Alemanha.

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