A decisão

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A coluna “Eu vou sozinha” está aqui para quebrar o tabu e inspirar mulheres a viajarem sozinhas – seja para desbravar, para se conhecer, para sair da zona de conforto ou só porque não conseguiu uma companhia para as férias. Vamos entrar na corrente por um mundo mais aberto e seguro em que todas nós possamos transitar sem esquentar a cabeça! Essa semana, leia o texto  da Fernanda luz em que ela narra fatores que impulsionaram sua decisão de Ir Sozinha:

Como tudo começou

Passei muitos anos vivendo como expectadora da minha própria vida. Quem olhava de fora provavelmente achava que eu tinha uma vidinha perfeita: antes dos 30, eu estava na minha segunda pós numa instituição conceituada, trabalhando numa das maiores empresas de bem de consumo do mundo, com um salário grande o suficiente pra ter uma vida mais que confortável e pagar tranquilamente as prestações do meu próprio apartamento, onde morava com meu namorado de anos, com quem tinha o plano de casar, ter filhos e ser feliz pra sempre. O único problema é que em determinado momento, me olhei no espelho e não me reconheci. Estava num relacionamento que não me fazia feliz, num trabalho que não me preenchia, vivendo uma vida que estava longe de ser a vida que eu sonhava. Se pudesse traduzir em uma imagem a forma como me sentia, diria que eu era uma florzinha murcha, sem vida e sem cor.

Depois que essa ficha caiu, vieram várias mudanças: de cidade, estado civil, emprego, casa, aparência, estilo de vida… Comecei um mergulho pra dentro de mim mesma, me revirei do avesso e aos pouquinhos fui tomando contato com quem estava esquecida (ou seria escondida??) há tempos – eu mesma!! Mesmo com tantas mudanças, eu sentia que ainda faltava alguma coisa. Mas a correria do dia-a- dia, os compromissos profissionais e familiares, a rotina – tudo isso ainda deixava a minha visão meio turva. Eu entendi que precisava trazer mais propósito para o meu dia a dia – e isso não seria possível se eu continuasse trabalhando no mundo corporativo, aquilo já não me preenchia mais. Eu precisava sentir que me dedicava a algo em que realmente acreditasse. Mas o que seria isso? Como descobrir qual o meu propósito?

Uma voz lá no fundo me respondia: “Ouvindo seu coração, silenciando a mente, observando o mundo – com suas imperfeições e oportunidades.”  E foi assim que eu decidi largar tudo e ir viajar. Não assim do nada, que nem doida. Claro que teve um planejamento. Porque eu não sou rica, então tive que me programar – colocar no papel o que entrava de grana, quanto eu ia poder gastar, pra onde eu queria definitivamente ir e onde podia ficar pra uma próxima oportunidade. Pra mim o planejamento foi fundamental, me trouxe muito mais segurança – e também deixou a minha família mais tranquila. Porque você há de convir que a maioria dos pais quase tem um ataque quando a gente diz que simplesmente vai sair por aí, sem direção no mundo. Ainda mais sendo mulher. Ainda mais dizendo que vai sozinha. Ainda mais sendo a filha caçula. Ainda mais sendo uma pessoa com uma carreira até que promissora. Como assim, você enlouqueceu? Se vira e mexe eu mesma me fazia essa pergunta, vocês podem imaginar o que a minha família diria né? Então, antes de qualquer coisa, antes de conversar com eles, fui fazer meu dever de casa. Queria mostrar que era possível, que eles podiam confiar em mim porque eles não iam acordar um dia num pulo com o telefone tocando no meio da noite e atender uma ligação minha chorando dizendo que o dinheiro acabou e que eu precisava de ajuda. Ou que eu estava presa porque tinha feito uma coisa que não devia. Ou que eu estava no hospital porque algo deu errado. Ou que eu estava com medo e queria voltar pra casa.

Planejei financeiramente. Fiz checkup médico. Pesquisei, pesquisei e pesquisei um pouco mais e de novo e de novo. E quando chegou a hora, eu tinha a grana. Eu tinha o conhecimento. Eu tinha os vistos. Eu tinha as principais passagens. Eu tinha ao mesmo tempo alguns planos e o coração aberto pro que o universo fosse me trazendo. Porque a coragem – ah, a coragem – essa eu descobri que já tinha desde sempre, eu só precisava deixar ela aflorar!!!

O que achou? Conta aqui pra gente :)

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Sobre o autor

Fernanda Luz

Depois de alguns anos batendo cabeça pra tentar se encaixar no mundo corporativo, deixou tudo pra trás, tirou um período sabático e foi conhecer um pouco desse mundão. Passou por 17 países e enquanto viajava foi percebendo que mais importante do que o destino, era a coragem de se jogar no desconhecido. Entendeu que tem sempre algo novo pra ver, mesmo que a gente esteja olhando pra uma velha paisagem que já faz parte da nossa história.