Alba da Julina

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Até uns 6 anos de idade eu tinha o hábito de chamar Festa Junina de “A Festa da Julina”, como se uma coleguinha de nome esquisito tivesse um aniversário maravilhoso com bexigão cheio de bala e lembrancinha na saída da festa.

Talvez sem saber, essa confusão tinha um sentido. Eu sempre adorei festas juninas. A infinidade de quitutes que abraçam, as fantasias de departamento de criação (só somando chapéu de palha e outros adornos), as brincadeiras, quadrilhas, os tracs e/ou estalinhos. E claro, eles: os vinhos quentes e quentões.

Gosto de festas juninas por que seguem o mesmo princípio de entretenimento de um churrasco. Uma maratona de diversão e bons papos pela tarde afora, regado a saborosos líquidos e sólidos.

Pois para minha agradável surpresa, a Itália transportou uma festa junina. Pelo menos a sensação de estar em uma. Foi na pequena cidade de Alba, com sua elegância de sede do gigantesco Grupo Ferrero (ele mesmo, do Nutella), com seu charme de ser o único lugar do mundo onde cães farejam trufas brancas – que reencontrei Julina.

Alba, Itália

Andando por Alba | Foto: Fábio Lattes

Trufa, na sua preciosidade e presença no jetset da alta gastronomia me fez pensar que um festival dedicado a ela seria uma boa e velha arapuca para turista. Um pavilhão insosso, onde turistas de cartões platinados comprariam seus potes e baldes da iguaria. Ledo maravilhoso engano.

Era uma incrível festa de rua, com famílias, jovens e namorados curtindo a tarde como bons maratonistas de diversão.

Alba, Itália

Companheiras de aventura, e por último, a de vida. (O foco na comida era tanto que esquecemos de usá-lo para a foto =P) | Foto: Fábio Lattes

Substitua os trajes caipiras e bandeirolas por roupas e decoração medievais. Todos os vendedores, barraquinhas e brincadeiras seguiam o tema. Já valeria e muito o passeio se a barraquinha do Rei Arthur me servisse uma canjica, mas estamos tratando de comida na Itália. É coisa séria. Seríssima. E deliciosa.

Alba, Itália

Alquimistas da polenta mole | Foto: Fábio Lattes

Passeando por suas charmosas ruelas, comi de tudo. E o melhor: a preços juninos. Queijo com creme de tartufo, carne crua (como um steak-tartare) com raspas de tartufo, torrada com ovo frito e raspas de… sim, ele mesmo. Além de polenta mole, agnolotti, porchetta (porco assado na brasa). E ainda, jogos maravilhosos, como a pescaria de garrafas de vinho. Que por muito pouco não fisguei uma e economizei 6 euros – preço médio da garrafa por lá.

Alba, Itália

Pescaria de vinho | Foto: Fábio Lattes

Não era junho, não era o Brasil, mas exatamente do mesmo jeito foi divertido para caramba.

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Sobre o autor

Fábio Lattes

Um franco-campineiro se aventurando nesse mundão em cima de um teclado. Autor da coluna Ciao!, onde conta sobre suas experiências em Turim, na Itália.