Uma experiência incrível em Chiang Mai: Monk Chat e meditação

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Quando eu soube que, em Chiang Mai, alguns templos oferecem uma atividade chamada Monk Chat, que nada mais é do que um bate-papo com um (ou mais) monge, eu surtei de empolgação. Se, assim como eu, você tem interesse no budismo (seja como religião ou como filosofia), pode colocar o Monk Chat na sua listinha de prioridades tailandesas.

Nesse mundo moderno, os monges também querem ser globais – por isso, eles também estudam inglês. Só que os monges não têm com quem praticar. Em paralelo, muitos ocidentais querem saber mais sobre o budismo, mas não têm a quem perguntar. Juntou lé com cré? O Monk Chat é um tempo disponibilizado para que turistas conversem com monges locais, principalmente sobre budismo – assim eles treinam o inglês e aproveitam para ensinar um pouquinho da religião. Legal, né?

Quando comentamos para o June, guia turístico do hotel onde estávamos, que tínhamos interesse em participar de um Monk Chat, ele sacou da manga mais uma dica esperta: se fôssemos no templo Sri Suphan, poderíamos ter 1h30 de Monk Chat e mais 2h de iniciação à meditação, ministrado por um monge.

Eu ouvi direito? Eu vou poder papear com um monge e depois ele vai me ensinar a meditar? Tá, bom.

Ainda meio céticos, fomos até o templo numa tarde ensolarada. Já na entrada, vi uma placa de “Monk Chat + Meditation” e lá fomos nós pegar mais informações. Um moço na porta contou pra gente como funcionava, que horas começava e, quando já estávamos felizes e saltitantes, ele nos contou que tinha que deixar uma “doação” de 150 THB (algo em torno de 16 reais). No susto, quase desistimos – mas breve concluímos que era um preço justo para uma aula de meditação.

Como ainda tínhamos algumas horas até começar o papo, passeamos admirando o templo que, apesar de pequeno, é lindíssimo. É lá que fica o templo de prata, todo prateado – e é muito impressionante, é muita prata. O problema é que as mulheres não podem entrar (e aqui vai uma antecipação da conversa com o monge: ele disse que alguns templos são assim porque mulheres provocam pensamentos impuros nos homens, que os impedem de orar, veja bem) e eu fiquei só observando a sua (pode usar impressionante de novo?) área externa e tirando mil fotos. Enquanto o Rapha conhecia o templo internamente, fiquei observando um monge fazer uma bênção em uma mulher do lado de fora e, quando ele percebeu que eu estava olhando, me chamou para também receber uma bênção e conversamos um pouco – ele não iria participar do Monk Chat, mas também queria treinar o inglês.

Às 17h30, voltamos para o ponto de encontro e nos instalamos em algumas mesas para conversar com os monges – que, na verdade, eram “noviços”, ou seja, jovens adultos que treinavam para ser monges. Eram no total 8 noviços, que se dividiam entre 3 mesas de conversa. Eu e o Rapha por sorte ficamos com uma mesa só pra gente com 2 deles, o que nos permitiu fazer todas as nossas perguntas e ter uma conversa mais íntima.

De cara, após saber de onde eles eram (ambos eram do sul do Vietnã, um território anteriormente cambojano), perguntamos quando eles se tornariam monges – e a resposta de ambos, já para dar um tapa na cara da sociedade, foi que eles nem sabiam se seriam monges um dia. Um dos pilares do budismo é a noção de impermanência – a ideia de que tudo está em constante transformação -, e portanto eles não poderiam afirmar que irão querer ser monge daqui a algum tempo. Para muitos de nós, que aprendemos a importância do planejamento e de colocar metas e mais metas nas nossas vidas, isso pode soar estranho – mas o que vejo é que essa mentalidade tem o benefício único de trazer leveza à nossa vida e às nossas escolhas, além de despertar a necessidade de praticar constantemente o autoconhecimento, afinal nós podemos mudar de ideia a qualquer momento.

A conversa continuou por muitos outros conceitos (afinal passamos 1h30 batendo um papo), passando por mindfulness, consciência, carma, família, escolhas, os pilares do budismo, até pequenas curiosidades, como a rotina dos noviços, como é a vida em um templo/monastério, o que eles estudam na faculdade (vocês sabiam que existem escolas e universidades específicas para monges?) e como eles aprenderam a falar tailandês e inglês.

Apesar de ter sido um momento super interessante, esclarecedor e ter dado luz a conceitos importantes e com os quais eu tenho bastante afinidade, a conversa foi também um pouco frustrante. Eu tinha uma ideia da religião budista como uma religião  com menos imposições e regras, mas essa conversa acabou me mostrando que, na verdade, o budismo é sim uma religião menos “impositora”, mas ainda assim é uma religião, com seus preceitos, suas normas, crenças (algumas vezes bem discutíveis) e, como não, alguns preconceitos. E é nesse momento que eu prefiro absorver apenas os conceitos filosóficos e seguir a vida agnóstica.

Passada a conversa, era hora de meditar. Eu costumo meditar comigo mesma num método de meditação que eu defini – ou seja, eu inventei que medito. Então eu não tinha ideia do que esperar lá. E foi muito agradável. Primeiro ele contou um pouco da relação intrínseca entre o budismo e a meditação, a importância da meditação e algumas técnicas. Então fizemos 2 exercícios de meditação, sendo um sentado e o outro em pé e andando, ao final pudemos fazer algumas perguntas sobre a meditação em si, e o dia acabou – cheio de informações novas, conceitos novos, aprendizados e, principalmente, com uma nova energia.

Não dá pra negar que os monges têm uma aura mística em volta de si e conversar com eles, passar horas ouvindo o tom de voz calmo e tranquilo, e ainda poder meditar em sua companhia, foi uma experiência e tanto! Então, não esqueça: se vier a Chiang Mai, lembre-se de colocar o monk chat na sua listinha de prioridades.

Wat Sri Suphan

Monk Chat & Meditation

Terças, quintas e sábados das 17h30 às 21h

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Sobre o autor

Manu Pontual

Sócia-fundadora da Plot, Manu é aquariana de corpo e alma. Apaixonada por viagens e por mudanças, largou tudo que tinha de fixo na vida para morar na Ásia, na busca por um modelo de vida e trabalho que tenham mais a ver com a sua essência.