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Chiang Mai, na Tailândia: tão legal que dá vontade de morar lá

Quem nunca viajou para uma cidade que gostou tanto, mas tanto, que teve vontade de não ir embora e ficar morando lá? Comigo acontece com frequência e no geral são as praias que me deixam assim. Vai ver que é uma síndrome de menino nascido e criado em cidade grande. Mas aí apareceu Chiang Mai, que está bem longe do mar, mas me fez sentir do mesmo jeito.

SOBRE CHIANG MAI

Para começar com um pouco de história, deixa eu te contar que Chiang Mai foi fundada em 1296, para substituir Chiang Rai como capital do Reino de Lanna, que chegou ao seu declínio em 1556, quando a cidade foi ocupada pelo povo da Birmânia (que agora se chama Mianmar). Em 1775, o Reino de Siam – aka Tailândia hoje em dia – conquistou e incorporou o território, mas o abandonou em seguida, devido aos contra-ataques dos vizinhos, deixando-o no limbo até 1791, quando a paz foi reinstaurada. De lá para cá, seu crescimento e sua evolução foram exponenciais.

Monumento em memória aos três reis que governaram o Reino de Lanna | Foto: Manu Pontual
Monumento em memória aos três reis que governaram o Reino de Lanna | Foto: Manu Pontual

Segunda maior cidade tailandesa, Chiang Mai ocupa a mesma posição nos quesitos econômico e político, além de ser a mais importante, uma espécie de capital não oficial, na região norte, onde está localizada, aos pés das principais e mais imponentes montanhas do país. Anualmente, mais de 15 milhões de turistas do mundo inteiro visitam o destino, que é o paraíso para quem gosta de história e cultura: destaque para os mais de 300 templos budistas espalhados por seu território, o que faz com que você literalmente encontre um em cada esquina.

Além de turistas, Chiang Mai também atrai uma grande quantidade de expatriados, não só para ocupar posições em empresas tailandesas que migram, em fluxo torrente, para o norte, como também autônomos, que encontram ali o excelente equilíbrio de uma cidade que é grande, mas não caótica (como Bangkok), e o custo de vida é baixo, embora a estrutura oferecida seja de ótima qualidade – vale o destaque para a internet, que funciona bem por toda parte, e para o serviço de saúde, de cair o queixo de tão eficiente (falo com propriedade de causa de quem precisou usar, mas isso é assunto para outro post).

O BUDISMO EM CHIANG MAI

Esse templo, por exemplo, não fazia parte dos planos, simplesmente apareceu no nosso caminho | Foto: Rapha Rotta
Esse templo, por exemplo, não fazia parte dos planos, simplesmente apareceu no nosso caminho | Foto: Rapha Rotta

Sem dúvidas, a parte mais interessante da visita a Chiang Mai fica por conta da oportunidade de conhecer mais de perto o budismo. É claro que não dá para ser ambicioso ao ponto de querer cobrir os 300 templos da cidade, longe disso, aliás. Mas também é verdade que essa oferta tão ampla é daquelas que te deixa com aquela sensação de “tá, mas por onde eu começo?”. Nosso roteiro contemplou alguns dos principais e mais recomendados, tanto na internet, quanto pelos locais com quem conversamos, além de uma boa dose de “olha que legal esse, vamos entrar?”.

Uma coisa muito legal e, na minha opinião, imperdível é o Monk Chat, um programa disponível em alguns dos templos de Chiang Mai. Funciona assim: você, turista curioso, senta para conversar com monges que têm interesse em praticar inglês. O resultado é uma aula sobre budismo, os ensinamentos do Buda e a cultura tailandesa – nós ainda incluímos no programa uma sessão de iniciação à meditação que tornou o passeio ainda mais especial.

MERCADOS PARA TODOS OS GOSTOS (E DIAS!)

Quase toda cidade turística tem o dia do mercado noturno, onde as barracas ganham as ruas para vender de tudo o que se pode imaginar. Em Chiang Mai, todo dia é dia, literalmente.

Pra começar, existe o mercado noturno físico, que se chama Night Bazaar. É, pelo que apuramos, a opção mais cara e menos, digamos, exclusiva – em outras palavras, dificilmente você vai encontrar por ali algo que não tenha visto em outros mercados de outros lugares. Eu imagino que, por ser fixo, o fluxo de turistas é muito grande, o que incentiva os comerciantes a cobrar um pouco mais. Vale conhecer, se você for fã desses lugares cheios de gente, de oferta, de souvenires, que não perde uma oportunidade de comprar algo. Ou então, se você for passar poucos dias em Chiang Mai, todos durante a semana, essa é a única opção, então vá fundo. Agora se você estiver por lá no sábado e/ou no domingo, temos opções mais legais para recomendar.

O Saturday Night Market (ou, em português, Mercado Noturno de Sábado) foi o que, de fato, nós exploramos de cabo a rabo. Eu

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Vai um pad thai? | Foto: Rapha Rotta

precisava de uma calça para visitar templos, a Manu precisava de um shorts para substituir outro cujo zíper quebrou, então lá fomos nós para a missão. Ficamos muito bem impressionados com a oferta, pois os produtos ali fugiam do “padrão sudeste asiático de coisas para vender para turistas”. Compramos tudo o que precisávamos e, confesso, até mais do que isso. Mas a melhor parte é que nos deliciamos com a comida de rua, daquela que não passaria na inspeção a vigilância sanitária, mas que adoramos e somos imunes.

E por fim tem o Sunday Night Market (Mercado Noturno Dominical), que é onde as coisas são, de fato, mais legais, estilosos e diferentes. Passamos por lá despretensiosamente, procurando um lugar para jantar, mas começamos a prestar atenção nos produtos e ficamos chocados. Destaque muito especial para os quadros, que são lindos demais. Preciso ser sincero que estamos até ponderando dar mais uma passada por Chiang Mai em um domingo antes de voltar para o Brasil, caso sobre um dinheirinho pra gente investir em muamba.

CHIANG MAI E OS ELEFANTES

Muita gente que vem para a Tailândia tem como sonho/meta/desejo/obsessão ver elefantes. E Chiang Mai é, de fato, um dos lugares mais indicados no país. Nós fomos, adoramos, mas temos vários pontos a respeito. Vamos escrever um post sobre isso, com os detalhes da experiência e nossas ressalvas. Mas uma coisa posso adiantar: se você for fazer isso, pesquise e encontre uma forma responsável.

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ONDE FICAR EM CHIANG MAI

Na minha opinião, o mais legal é se hospedar na cidade velha (a área onde a cidade nasceu, que tem muro de demarcação, do tipo “medieval” e tudo mais) e assim ficar pertinho de diversos templos, inclusive alguns dos principais, além dos mercados. Mas os hotéis dessa região não são, no geral, os mais finos – esses estão do lado de fora, ao longo de toda a extensão de Chiang Mai.

Se forem seguir nossa sugestão, tenho até uma recomendação de hotel, do tipo bom e barato: é o SK House II, onde pagamos a bagatela de 400 baths tailandeses (cerca de R$ 45) para um quarto grande, com água quente e ventilador – se o ar condicionado for prioridade para você, existem quartos só um pouco mais caros à disposição. A piscina gigante, essa sim, é para todos. Uma vez hospedados ali, podem confiar cegamente nas informações que o June, responsável pela agência de viagens da recepção, te passar. Ele sabe tudo de Chiang Mai e tem ótimas recomendações.

TRANSPORTE EM CHIANG MAI

Existem algumas opções de transporte público:

[list style=”check”] [li]táxis com taxímetro, que costumam ser a opção mais justa, portanto a mais indicada para se deslocar de um jeito rápido para uma distância de média a longa.[/li] [li]táxis comunitários, que parecem “paus-de-arara”, mas funcionam como aquelas lotações que passam gritando, sabe?[/li] [li]os famosos tuk-tuk, que são as “carruagens” acopladas a uma moto, com capacidade para até quatro pessoas.[/li] [/list]

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A caminho do templo, no táxi comunitário | Foto: Rapha Rotta

Os dois últimos são daquele tipo asiático em que é permitido – e aconselhável – negociar, para não pagar muito mais do que vale o trajeto. Uma boa dica, inclusive, é pesquisar online quanto deveria custar o deslocamento, para usar esse número como argumento da sua barganha. Em alguns casos, aliás, já dizíamos de uma vez quanto queríamos pagar e isso encurtava bastante o processo – eles topavam ou declinavam, simples assim.

Outras alternativas para se deslocar são as motos e bicicletas, ambas disponíveis para locação. No caso da segunda, inclusive, vale dizer que Chiang Mai é toda abastecida por ciclovias, como resultados de um projeto recente para diminuição de tráfego que se intensificou em função do crescimento do turismo nos últimos ano. Muito legal, né? E as pessoas em São Paulo reclamando.

E, claro, não deixe também de caminhar pelas ruas da cidade, encontrar templos e mais templos ao acaso, curtir o clima de tranquilidade e se deixar, assim como aconteceu comigo, encantar por Chiang Mai.

E você, já foi pra Chiang Mai? O que achou? Compartilha aqui com a gente ;)

Rapha Rotta
Sócio-fundador da Plot, namorado da Manu, libriano indeciso e a cada dia mais asfaltofóbico. É apaixonado pelo mundo desde que consegue se lembrar e não consegue se sentir tranquilo sem saber quando será a próxima viagem.

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