coushsurfing

Couchsurfing

Viajar é preciso, mas um dos problemas que enfrentamos é: onde ficar? Logo que decidi vir para a Alemanha, comecei a procurar casas/ dormitórios/ quartos/ repúblicas (Wohngemeinschaft – WG) para morar. Por estar me mudando para uma cidade universitária a concorrência por locais para pernoitar era/ é enorme. Correndo contra o tempo, minhas opções se resumiram a nenhuma! Foi então que conheci, pela primeira vez, a rede social Couchsurfing. Com um certo sentimento de desconfiança, mas regida principalmente pelo desespero, iniciei o contato com pessoas que moravam na cidade para qual me mudaria: Karlsruhe. Com frases pré-montadas em alemão, seguidas por pedidos em inglês, escrevi para algumas pessoas solicitando um lugar para ficar por alguns dias. Não sabia ao certo como a rede funcionava, muito menos se teria que pagar alguma coisa, ou se as pessoas iriam ou não me sequestrar (segurança de se praticar o couchsurfing). Enfim, totalmente no escuro, aceitei a oferta de uma mulher de 49 anos, casada e com dois filhos, para passar três dias na casa dela. Recebi por mensagem o endereço e avisei por volta de que horas chegaria na cidade. Pronto, era isso. Agora é ir para saber….

Cheguei na casa três horas depois do que havia previsto, devido a um pequeno atraso no voo, seguido por um passeio dentro do aeroporto (totalmente ‘pré-definido’, não podendo ser caracterizado como um “estou totalmente perdida nesse lugar”). A partir daí, começa o choque cultural de fato. Fui recebida muito bem, mas confesso que eles ficaram surpresos com as minhas malas gigantes de 32kg cada e mais ainda com o meu apetite após horas de voos. Entre garfadas no jantar oferecido por eles, tentava me comunicar em alemão. Contei minha história e planos nessa nova cidade, e expliquei o porquê de estar praticando o couchsurfing. A mulher logo se sensibilizou pela minha “causa”, e começou a me ajudar a encontrar um lugar para morar. Buscou em sites em alemão, e me inscreveu em alguns sites. A verdade era uma só: eu tinha dois dias para encontrar alguma coisa.

Infelizmente, neste curto prazo, não consegui e não podia mais ficar na casa dela, pois outros viajantes estavam chegando. Entrei em uma comunidade dentro da rede social “Karlsruhe emergency couch request” e postei no mural meu desespero. Dez minutos depois consegui um sofá para uma semana na casa de um francês-alemão. Fiquei feliz por ter um teto nos primeiros dias de aula, e ainda de grátis. Fui também super bem recebida e ainda tive a oportunidade de conhecer um outro distrito (Durlach).

O desespero em forma de cartaz | Foto: Bárbara Bayer (arquivo pessoal)
O desespero em forma de cartaz | Foto: Bárbara Bayer (arquivo pessoal)

Mantive contato com a mulher da primeira experiência, e graças a ela, encontrei meu primeiro quarto aqui na Alemanha. Ela foi sempre gentil comigo, me acompanhando nas visitas à quartos e dormitórios, além é claro de fazer cartazes de “procura-se”. Em sua companhia encontrei um bom quarto para alugar, e minha experiência em uma WG na Alemanha iniciava-se. Mantenho uma amizade hoje com ela, que me ajudou na comunicação, na assinatura do contrato, e até com a mudança – levando uma das minhas malas de 32kg. Hoje, tenho a sorte de alugar o sótão dela – um quarto, uma cozinha e um banheiro: minha amada kitnet, e continuamos nos encontrando e compartilhando vivencias culturais.

Couchsurfing é uma experiência muito interessante, na qual você conhece pessoas incríveis, tem um lugar para pernoitar e economiza alguns trocados. O interessante dessa ferramenta online, é, além de preencher o seu perfil para encontrar pessoas que tenham mais em comum com você, poder recomendar pessoas (tanto hospedeiro quanto visitante) facilitando a credibilidade e acessibilidade. Isso contribui muito para não ter medo de praticar o couchsurfing. Minha história com o couchsurfing é muito positiva e minha dica é: leve sempre uma lembrança para seus hospedeiros; um gesto carinhoso e educado para agradecer a hospitalidade.

Barbara Bayer
Relações públicas, viajante de carteirinha e ex-locatária de uma kitnet em Karlsruhe na Alemanha. Joga amadoramente handball e, quando ninguém está olhando, faz dancinhas bizarras, seja para comemorar, para espantar o frio ou só porque lembrou de uma música que adora.

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