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5 curiosidades sobre a Coreia do Sul

Como boa “korean-brazilian” (filhos de coreanos nascidos no Brasil), tentaram me convencer durante boa parte da vida que eu era mais coreana do que brasileira. E como parte desse ritual de auto reconhecimento, igual a muitos jovens da comunidade, eu deveria passar uma temporada na Coreia – idealmente um intercâmbio durante a faculdade.

Resisti. Relutei. Não quis e não fui.

Alguns anos depois, minha personalidade urgiu por conhecimento. Perguntas como “por que raios os coreanos são tão cabeça dura e fazem xyz ao invés de abc?” e “será que eu vou achar importante passar parte da cultura oriental para os meus futuros filhos?”.

Com 25 anos decidi ir.

Mas minha decisão de ir foi considerada tardia. Ao invés de apoio, não faltaram críticas. “Como ela tem coragem de largar o trabalho e ir viajar?”, “Perdeu o timing, está velha para fazer esse tipo de coisa.”

Fui. Com medo, mas confiante. (Ambíguo, não?)

Medo, oras, porque a última vez que estive na Coreia já fazia mais de 10 anos. “Como será que tratam os descendentes de coreanos por lá?”, pensava eu. Falava mal, sabia ler devagar e a escrita para mim era impossível. Não tinha nem ao menos parentes por lá.

Confiante?

Sim, confiante. Pois apesar da dificuldade com a língua, eu nasci e cresci dentro de uma família coreana. Não seria tão difícil seguir os costumes, certo? Entender toda a cultura e crenças. Fácil, né?

Mal sabia eu o que me esperava..

E para começar, mesmo sendo “korean-brazilian”, resolvi dividir as coisas que mais estranhei assim que cheguei lá.

KITS DE EMERGÊNCIA NO METRÔ

Coreia do Sul, curiosidades
Prevenindo ataques e acidentes | Foto: Camila Hong

É muito normal encontrar kits de emergências nas principais estações de metrô de Seul. São diferente tipos de máscaras (gás, fumaça, e até contra a radiação) acompanhadas de kits básicos de sobrevivência e algumas lanternas.

No começo fiquei um pouco incomodada toda vez que via um desses, me sentia em um local “perigoso”. No final percebi que estava na verdade em um lugar “prevenido”.

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Lanternas também fazem parte do kit de emergência do metrô | Foto: Camila Hong

As explicações para a existência destes kits são:

  1. Por mais que seja improvável, a Coreia do Sul leva sempre em consideração a possibilidade de sofrer algum tipo de ataque vindo da Coreia do Norte.
  2. Em 2003 na cidade de Daegu, houve um grande incêndio no metrô deixando aproximadamente 200 mortos. Depois desse episódio, grande parte do metrô do país sofreu alterações.
  3. Alguns poucos, pessimistas eu diria, dizem que os kits poderiam ser utilizados após terremotos/tsunamis (mesmo que a probabilidade seja baixa).

O ELEVADOR

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E até achar nosso andar, né? Socorro! | Foto: Camila Hong

Os botões dos elevadores normalmente estão em uma ordem diferente à do Brasil. No Brasil, os números seguem a seguinte ordem: de baixo para cima, da esquerda para direita.

Já na Coreia, a ordem é de baixo para cima na coluna da esquerda e depois na coluna da esquerda. Não era raro demorar alguns segundos até achar um andar.

BANHEIROS 

A Ásia em geral merece um post inteiro sobre banheiros. Mas aqui já adianto dois pontos.

1. Se você é daqueles tem vergonha de fazer “muito barulho” enquanto usa o banheiro ou precisa de uma forcinha com som de água para conseguir fazer xixi, você pode apertar um botãozinho ao lado da privada! Ele faz um sonzinho de descarga ou de torneira aberta.

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Olha o botãozinho do barulho! ;) | Foto: Camila Hong

2. Em geral as pias e privadas são bem mais baixas do que as do Brasil! Explicação: a estatura dos orientais é bem mais baixa que as dos “western people” – e eu, com meus 1,73cm (totalmente fora dos padrões orientais), também sofri para me acostumar.

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Tentando lavar as mão nas pias coreanas (será que entrei no banheiro infantil?) | Foto: arquivo pessoal

MÁSCARAS

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Sim, isso é um outdoor de máscaras | Foto: Camila Hong

Na Coreia é super normal você andar no meio da rua e ver pessoas de máscaras. Em geral, as máscaras são brancas mesmo, mas existem outros designs mais meigos, engraçados, sofisticados.

Contei para os meus amigos orientais que no Brasil não é uma coisa normal usar pelas ruas. E caso alguém esteja usando, é que essa pessoa infelizmente está super doente – e eles acharam isso estranhíssimo.

As explicações do uso da máscaras por aqui são:
1. Frio – De fato ajuda. Já testei. Além da máscara evitar o contato direto do vento no seu rosto, a sua respiração (bafo) deixa seu rosto quentinho hahaha..

2. Gripe – Com a máscara, você evita espalhar germes por aí – e as pessoas agradecem.

3. Ar – As pessoas comentam que o ar por aqui é péssimo (poluição). Principalmente com a proximidade com a China. Assim, usando máscara o ar é “filtrado”, evitando problemas respiratórios mais sérios.

4. Cirurgia Plástica – Sim, a Coreia é um dos países mais conhecidos pelas suas cirurgias plásticas (isso também vale um post inteiro depois). Após a cirurgia, muitas pessoas usam a máscara para evitar mostrar os pontos e inchaços.
PS: estrangeiros que vieram até aqui para fazer cirurgia também aproveitam o tempo pós operatório para passear e fazer compras pelo o país. Por isso, não se assuste ao ver vários desses caminhando por shoppings e feiras.

5. Celebridades – Por mais que as roupas, jeito e estilo entreguem os famosos pela rua, alguns arriscam sair “mascarados” com o intuito de não serem assediados.

PORTA CARTÕES

No começo estranhei. Todo aquele povo com esse porta cartões no pescoço. Mil cores, mil desenhos. Por um lado achava infantil e até perigoso.Mas por outro lado aquilo também me lembrava o crachá da empresa que usava. Não resisti e comprei um para experimentar.
Confesso, foi incrível. Ainda mais eu que sempre perco meus cartões dentro da bolsa. Carteira de estudante, metro, crédito, do apartamento, tudo em um lugar só!

Bom, e assim começa minha coluna contando um pouco da Coreia!
Espero conseguir dividir por aqui tudo que fez o meu ano pela Ásia um dos melhores anos da minha vida.

Texto escrito por Camila Hong, publicitária que mora em São Paulo e, de tanto imaginar como seria a vida no país, acabou cedendo à pressão familiar e passando um ano morando na Coreia do Sul. Com bom humor e sagacidade, ela conta para a gente como foi essa experiência! 

Plot Viagens
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Somos especialistas em planejar viagens e queremos contribuir para que cada vez mais pessoas possam transformar planos em realidade. Aqui no blog compartilhamos histórias, dicas, relatos e inspirações.

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