Voluntariado no Quênia | Parte 2: Curiosidades Quenianas

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Natiele passou um mês em trabalho voluntário no Quênia e hoje conta pra gente diversas curiosidades sobre o país!

 

Hi, mzungu!

Mzungu é uma expressão africana que se refere à pessoas brancas e/ou estrangeiras. Se esse for o seu caso, saiba que dificilmente você passará despercebido no Quênia, especialmente fora da rota turística de centros comerciais e safáris.  As pessoas vão abordá-lo nas ruas, quase sempre de uma forma amigável e descontraída, vão perguntar de onde você é, como é o seu país, sua cultura. Se você for mulher, os homens vão te chamar de coisas do tipo “beautiful”, “pretty”, eles vão te convidar para sair, para jantar, eventualmente, vão até te pedir em casamento. As crianças vão correr na sua direção gritando “mzungu, mzungu, hi, mzungu” e você vai morrer de amores cada vez que isso acontecer.

Idioma

O idioma oficial é o swahili, porém existem vários dialetos que também são utilizados. Todos os quenianos fazem parte de alguma tribo e cada tribo possui suas tradições e seu próprio dialeto. A segunda língua é o inglês. O Quênia foi colonizado pelos britânicos e tornou-se independente apenas em 1963. O inglês é ensinado nas escolas, mas o nível de fluência é bastante variável. Em algumas situações, o jeito é apelar para a mímica mesmo.

Dinheiro

A moeda do Quênia é o xelim queniano (KES) e a taxa de câmbio é de, aproximadamente, 100 KES para cada 1 USD (2016). Levei algum dinheiro em dólar e um desses cartões de viagem pré-pagos. Não é  difícil encontrar casas de câmbio e ATMs em Nairóbi. O custo de vida no Quênia é bem baixo, especialmente em comparação com outras grandes cidades, como São Paulo. Por exemplo: você consegue alugar uma casa ou apartamento em Nairóbi por menos de 100 dólares mensais.

Visto

Para o visto de turista, não tem muito segredo. Basta acessar o site, preencher um formulário com as suas informações, pagar a taxa de $51, imprimir o comprovante e apresentar na hora de entrar no país (dados de 2016).

Clima

Quando falamos em África, logo imaginamos um sol escaldante e um calor infernal. Bom, no Quênia não é bem assim. Fui no verão e, realmente, fazia muito calor durante o dia, mas as noites eram bem frias. O lugar onde me hospedei não tinha água quente, então todo dia era aquela corrida para conseguir tomar banho antes do sol se pôr e, consequentemente, não morrer de frio.

Saúde

Antes da viagem, consultei um médico para saber mais sobre vacinas, risco de doenças como malária, e outras informações. Em São Paulo, existe o Ambulatório dos Viajantes, um serviço gratuito oferecido pelo Hospital das Clínicas, destinado exclusivamente a orientar viajantes. Nessa época, o risco de ebola já não existia. Mas ainda assim, saí do consultório com uma lista de vacinas e um tratamento preventivo para a malária, além de antibióticos e muitas recomendações, como por exemplo: não tocar em animais, usar repelente, não consumir alimentos crus e só beber água engarrafada. No fim, não tive nenhum problema, mas é sempre bom estar preparado e ciente dos riscos.

Internet

Se o seu celular for desbloqueado, é só comprar um chip local e um pacote de dados pré-pago. Não lembro o preço exato, mas comprei 1GB de dados, que durou quase o mês todo. Como existem diferentes pacotes, é só escolher um de acordo com as suas necessidades.

Transporte

O transporte público queniano, chamado matatu, é uma das coisas mais insanas que eu já vi na vida. Sabe aquela expressão “com emoção”? Pois é, se locomover em Nairóbi é sempre uma aventura!

Existem dois tipos de matatus: os mais básicos, que parecem uma van comum, e os mais estilosos, que são temáticos, personalizados com adesivos, luzes coloridas, sistema de som e televisores que ficam exibindo vídeo clipes dançantes no último volume. Os matatus fazem rotas específicas, identificadas por números. Assim que você entende as rotas, fica fácil, além de ser muito barato. Nos matatus não tem essa de lotação, sempre cabe mais um, então não se assuste se alguém sentar no seu colo.

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Comida

A culinária do Quênia é muito simples e gostosa. No dia a dia, as refeições não eram muito diferentes: grãos, legumes, carne ou frango. Minha comida preferida era o chapati, uma espécie de crepe salgado, de origem indiana, servido com carne ao molho. Os quenianos também são obcecados por frango frito e batatas fritas, que podem ser facilmente encontrados em qualquer esquina. Era bem comum encerrar a noite com um combo desses. Uma delícia! Como em quase toda cidade grande, também é possível encontrar shoppings com restaurantes variados, que servem de pizza à culinária francesa, e redes de fast food, como o KFC.

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Bares e baladas

No Quênia é proibido vender bebidas alcoólicas em armazéns e mercados antes das 17h. Porém, você pode ir a um “pub” ou bar a qualquer hora do dia e beber tranquilamente sua Tusker acompanhada de frango e fritas. A Tusker é a cerveja mais popular e é bem similar às brasileiras, mas você também encontra as importadas. Só não esqueça de pedir a sua cerveja gelada!

As baladas quenianas são das mais animadas! Músicas dançantes, do pop e hip hop americanos, passando pelo reggae jamaicano, música local e até um “ai, se eu te pego” eu ouvi por lá. Os quenianos mandam muito bem na dança, além de esbanjar carisma e simpatia. Não se preocupe se você não souber dançar, eles vão ficar felizes de te ensinar, ou no meu caso, ao menos, de tentar.

 

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Segurança

Por incrível que pareça, mesmo viajando sozinha, em nenhum momento me senti insegura. Procurei seguir algumas recomendações, como evitar andar sozinha à noite ou em bairros mais afastados e nunca carregar muito dinheiro. Logo na primeira semana, teve um dia que eu resolvi sair sozinha para explorar a cidade. Não deu outra, peguei o matatu errado e acabei me perdendo. Fui parar no meio de uma feira aberta, lotada e que eu não fazia a menor ideia de onde ficava. Como não consegui encontrar ninguém que falasse inglês para me ajudar, abri o google maps no meu celular e apontei para um rapaz aonde eu queria ir. Ele me indicou o matatu que eu deveria pegar e, finalmente, consegui chegar ao meu destino, sem maiores problemas.

Kibera

Kibera é uma das maiores favelas do mundo e concentra quase um terço da população de Nairóbi. Embora a maioria dos bairros de Nairóbi sofra com a falta de infraestrutura, nada se compara a Kibera. Foi um verdadeiro choque de realidade que me atingiu como um soco no estômago. Aquele amontoado de casebres, com crianças correndo em meio às vielas que mais pareciam um labirinto, com esgoto a céu aberto. Não há saneamento básico e os dejetos são descartado ali mesmo, formando grandes morros de lixo. Famílias inteiras vivem em cubículos, sem energia elétrica, água potável, saneamento ou segurança. Um imenso contraste em comparação com o luxuoso centro comercial da cidade. No Quênia, como na maioria dos países subdesenvolvidos, a desigualdade salta aos olhos e nos faz questionar o quão injusto é o sistema em que vivemos, onde uns têm tanto, enquanto outros, quase nada.

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A África é um lugar mágico e passar um mês no Quênia foi, sem sombra de dúvidas, a melhor e mais intensa de todas as experiências da minha vida. Me apaixonei perdidamente pelas pessoas e pela cultura queniana e, desde então, não tem um só dia que eu não pense em voltar.

Outro texto da autora ainda sobre o Quênia aqui!

 

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