Dores e delícias de viajar sozinha

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A coluna “Eu vou sozinha” está aqui para quebrar o tabu e inspirar mulheres a viajarem sozinha – seja para desbravar, para se conhecer, para sair da zona de conforto ou só porque não querem uma companhia para as férias. Vamos entrar na corrente por um mundo mais aberto e seguro em que todas nós possamos transitar sem esquentar a cabeça! Essa semana, conheça a experiência da Isabella:

 Há tempos viajo sozinha. Por opção e não por solidão. Gosto de observar e internalizar, gosto de estar só, da independência e das múltiplas possibilidades que isso me gera. E uma dessas possibilidades é a de conhecer muitas outras pessoas. Mas é uma delas e não a única.

Esse ano fiz minha primeira viagem solo no Brasil, para a cidade de Paraty. Diferente dos europeus, os brasileiros não têm o hábito de viajar sozinhos e de receber viajantes sozinhos. (Digo sozinhos porque a palavra solitário está  longe de representar a experiência que vivemos).

 Não preciso nem dizer que, em relação às mulheres, a estranheza é maior ainda. Há os que sentem pena e querem te “adotar”, os que acham estranho e perguntam  por que você viaja sozinha, os que dizem: “nossa, que coragem!” e aqueles que não dizem nada, mas que revelam a desaprovação com o olhar (são os piores).

Viajar sozinha não é questão de coragem, afinal é com a gente mesmo que nos sentimos mais à vontade. Quer coisa mais difícil que dividir uma viagem? Os lugares para visitar, almoçar, a hora de dormir, acordar. Viajar a dois, a três ou a mais é também uma excelente opção. Mas pra mim, deve ser uma opção e não um encaixe para evitar a solidão.

Ser mulher e viajar sozinha nessa condição é ver a necessidade de impor barreiras e traçar limites: não somos criança, desprotegidas, podemos não querer sua companhia e estamos felizes desse jeito. Precisamos nos mostrar seguras e atentas ao mesmo tempo, provar o tempo todo que não estamos desacompanhadas ou desamparadas e sim que decidimos ficar um tempo com nós mesmas; que não estamos largadas, ou somos “coitadas. Pelo contrário, somos mulheres fortes (muitas vezes deixamos os namorados ou maridos em casa) e decidimos por nós mesmas naquele momento.

Há também o despreparo do turismo pro viajante solo. Os preços dos quartos individuais, das barracas individuais e dos pratos individuais não compensam. Os tours contratados muitas vezes são cansativos, sem propósito e sem um direcionamento para aqueles que só querem condução fácil para apreciar um local de difícil acesso. Os restaurantes se enfadam e se agoniam com uma pessoa ocupando uma mesa de quatro lugares, fazendo com que o viajante não se sinta acolhido em seu estabelecimento. Muitas vezes a gente só quer sentar, tomar um bom vinho e apreciar o vai e vem das pessoas.  Há poucas opções para os que viajam só.

Temos muito ainda o que avançar nesse quesito no Brasil, precisamos criar e adaptar a estrutura para aqueles que viajam sozinhos, tipo de viajante que cresce cada vez mais no nosso país. Também temos que nos habituar a receber e a nos abrir para os viajantes solos, o que na verdade prevê a abertura para uma mudança de pensamento, para entender que a viagem dessa maneira é uma opção consciente e que as pessoas podem sim, se sentir bem sozinhas.

Eu, sigo tentando, fazendo de mim um bom livro, das melhores opções de companhia.

O que achou? Conta aqui pra gente :)

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Sobre o autor

Isabella Zappa

Isabella é pedagoga, dona de casa, professora, mestre em educação e escritora. Tem um blog de literatura infantil e um site com textos autorais. Adora viajar sozinha e já se aventurou pela França, Itália, Alemanha e até andou sola pela Turquia!