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Visita às cachoeiras de Lombok

Quando marcamos nossa viagem a Lombok, eu, o Rapha e mais duas amigas brasileiras, ficamos todos empolgados com um atrativo especial da ilha: o vulcão Rinjani, localizado ao norte, ainda ativo e que atinge 3726 metros de altura. Estávamos desesperados para fazer o trekking de 3 dias até o topo do vulcão, para poder ver isso aqui:

Vulcão Rinjani Lombok
O belo vulcão Rinjani, no norte de Lombok | Foto: Rapha Rotta

Impressionante, né? Além desse lago, a subida ao vulcão proporciona vistas deslumbrantes.

Mas o sonho foi interrompido. Assim que começamos a contatar agências para nos guiar nessa aventura, descobrimos que toda essa maravilhosidade tinha um preço, e esse preço era alto – cerca de U$ 600 por pessoa. Quer dizer… hm. Ok. Vamos ver as possibilidades. Dá pra fazer mais barato? Dá. Quanto? U$ 400 se fizermos em 2 dias. No, grazie. Dá pra ir de forma independente? Não.

– Ta, o que a gente faz então?

– Vamos chegar perto, conhecer o vilarejo, a região, e bola pra frente.

– Ok.

Decidimos então pegar o carro e ir até um dos vilarejos da base do vulcão para dormir uma noite e conhecer durante o dia. Saímos por volta das 15h da Pink Beach e nos dirigimos até lá. A ideia era mesmo chegar à noite, mas a gente não estava bem informado de como seria a estrada – e ela não era nada boa.

Foi uma das estradas mais perigosas em que já estive, com subidas super íngremes, curvas fechadas, pistas estreitas, buracos, pessoas, animais e motos apagadas no meio da pista. Um susto atrás do outro! E, com tudo isso, a gente acabou demorando mais do que o calculado para chegar na cidade de Sembalun, onde iríamos passar a noite.

Depois do nervosismo no carro, e mortos de fome, chegamos a uma pousada bem da mequetrefe (aparentemente pessoas que fazem trekking não precisam de grandes confortos) em que absolutamente ninguém falava inglês. O vilarejo estava todo apagado, silencioso, sem movimento. E a gente estava morrendo de fome e sede. Com a comunicação mais capenga da história da humanidade, não conseguimos descobrir onde poderíamos nos alimentar e encontrar mantimentos, e já estávamos fazendo voto de jejum quando um casal gringo (quebrado do trekking, diga-se de passagem) entrou no hotel e nos recomendou um lugar em que poderíamos comer. Ela nos disse: “Na terceira à direita eles fazem comida. Vocês vão ver uma loja fechada e tudo vai estar escuro, mas podem ir entrando. Daí vocês batem na terceira porta. Não sei se eles ainda estão acordados, mas se estiverem uma moça vai abrir. Daí vocês pedem a comida e eles fazem. Não parece, mas é de comer de joelhos!”

Nos entreolhamos e, meio desconfiados mas motivados pela fome, lá fomos nós atrás de alimento. Seguimos a recomendação e batemos na terceira porta morrendo de vergonha porque, sério, era a casa das pessoas. E eu já mencionei o frio que estava? Batíamos o queixo sem parar, enrolados em cangas e todos os panos que pudemos encontrar. E eis que, depois de uns momentos, uma moça realmente abriu a porta. Perguntamos se ela fazia comida, e ela disse que sim. O que querem?

Nos entreolhamos mais uma vez. O inglês dela também era capenga e não houve qualquer menção a um menu. Optamos pelo tradicional e seguro fried rice e, tremendo de frio, esperamos ser convidados para entrar na casa quentinha enquanto nosso prato não ficava pronto. Ilusão – ela nos apontou para uma área no jardim que tinha uma tenda com um tablado e um tapete para sentarmos. Droga.

Dali a alguns minutos ela chegou – não só com o fried rice mais gostoso que já comi, mas também com uma entradinha de tempeh (comida tradicional do país feito de grão de soja) deliciosa. Devoramos com os olhinhos brilhando e, satisfeitos, fomos encarar a dormida na pousada xexelenta.

Acordamos bem cedo pela manhã para aproveitar bem o dia e conseguir voltar para Kuta antes do pôr-do-sol, já que não queríamos passar pela aventura do dia anterior novamente. Assim que saímos do quarto, o deslumbre: o vulcão e as montanhas da região eram realmente encantadores. Dirigimos por uns belos kilômetros maravilhados com a paisagem, tirando fotos e acenando para as pessoas ao nosso redor. Nosso destino: o vilarejo de Senaru, onde fica as duas principais e enormes cachoeiras da região.

Como diziam que era difícil achar a segunda cachoeira, contratamos um guia para nos levar até lá e foi ótimo, já que ele era a maior fofura do mundo e nos explicou diversas coisas sobre o lugar.

Já no começo da pequena trilha para a primeira cachoeira, mais paisagens incríveis: um campo de plantação de arroz que se estendia pelas montanhas até onde era possível ver, salpicado de casebres de palha e madeira, de vegetação verde brilhante e com o incremento de animais pastando por ali. Era muito, muito lindo!

Cachoeira Sendang Gile, Lombok
Nos pés da Sendang Gile | Foto: arquivo pessoal

A primeira cachoeira chama-se Sendang Gile, a mais famosa de todas, e frequentemente considerada a mais impressionante (eu, particularmente, preferi a segunda cachoeira). Uma queda única de cerca de 50 metros, é realmente linda – e, muito legal, dá para tomar um banho embaixo dela de lavar a alma. Para completar, os raios de sol em contato com a água forma diversos arco-íris em pontos diferentes da cachoeira. Poético! A trilha até ali é super agradável, tem vistas bem bonitas, e leva uns 20 minutos a partir da cidade. Tranquilo.

Cachoeira Sendang Gile, Lombok
Manu e Rapha entrando para um banho rejuvenescedor na Sendang Gile | Foto: Guta Novaes

Para chegar à segunda cachoeira a trilha é um pouco mais difícil, mas nada demais. Levamos uns 30 minutos para chegar e essa sem sobra de dúvidas foi a minha preferida. São diversas quedas d’água menores que parecem sair de dentro da floresta, encimadas por uma queda maior, que também sai do meio das árvores. Como a queda é mais forte, não dá para entrar diretamente embaixo da cachoeira, mas dá para nadar no rio que é formado a partir dela. A água é geladíssima, mas dá uma segunda – e poderosa – lavada na alma. Há ainda cachoeiras bem menores em volta da Tiu Kelep que dá para entrar.

Cachoeira Tiu Kelep, Lombok
A bela Tiu Kelep, com sua queda d’água principal e as quedinhas menores | Foto: Rapha Rotta

Depois desse passeio renovador, voltamos pela trilha com nosso guia, que nos lançou um desafio: em vez de voltar pela trilha no trecho final, deveríamos voltar por um riacho dentro de um túnel que era completamente escuro na maior parte dos 700 metros de trajeto. Oras, por que não? Lá fomos nós, com medo de bater a cabeça nas pedras, de ser abordados por uma aranha gigante e de tropeçar e cair na correnteza. Mas nada disso aconteceu e, claro, nos divertimos com os gritinhos e sustos soltados no percurso.

De volta a Senaru, sentamos para um delicioso almoço de frente para as montanhas, contemplando a paz e a alegria de ter feito o passeio e pensando se um dia, talvez, a gente volta para subir até o topo do vulcão?

Manu Pontual
Aquariana de corpo e alma, Manu é apaixonada por viagens. Fundou a Plot junto com o Rapha, e agora vive viajando - seja de verdade, fazendo roteiros para os nossos clientes, ou sonhando com os próximos destinos.

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