O maior templo budista do mundo

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Depois da nossa experiência turisticamente frustrada em Bandung, chegamos a Yogyakarta, uma das cidades mais importantes – e, porque não, mais famosas – da ilha de Java, ponto de partida para um atração que não daria para perdermos: o Borobudur, maior templo budista do mundo.

Antes de qualquer coisa, vale dizer que o Ramadã continuava rolando, cada vez mais perto do fim (e consequente época de feriado), o que significava uma oferta de serviços cada vez menor para nós, viajantes. Sabe o que isso quer dizer? Pagamos uma fortuna (literalmente, porque o dinheiro indonésio é contado em milhões). E como já as perspectivas financeiras da semana já iam de mal a pior, terminamos de afundar o pé na lama – ou jaca, já que tem tanto aqui na Ásia – e fechamos um pacotão turístico.

Nossa programação: nascer do sol nas montanhas; visita ao Borobudur e também ao Prambanam, complexo que abriga o maior templo hinduísta da região. Tudo isso com transporte e café da manhã incluídos, além de um monte de coleguinhas turistas. Se valeu a pena? Conto no final.

VAMOS COMEÇAR PELO NASCER DO SOL

maior templo budista do mundo

Olha quem vem lá | Foto: Rapha Rotta

É bem comum iniciar o dia de visita ao maior templo budista do mundo pelo nascer do sol, que pode ser de dentro do Borobudur, para quem concorde em pagar mais rúpias do que o equivalente a R$ 200 para entrar pelo hotel que comanda uma das entradas (sei o nome, mas me recuso a contar), ou do topo de alguma das montanhas nos arredores, onde os proprietários dos royalties da natureza são um pouco menos mercenários. Claro, ficamos com a segunda opção.

Então acordamos às 3h30, para pegar o transfer que nos levaria até a montanha. Por volta das 5h30, quando me senti acordado de verdade pela primeira vez, já estávamos no cume. Foi bem bonito, conforme o esperado, mas se você está imaginando esse momento como algo transcendental-reflexivo, esqueça: é o maior auê. Inclusive, vale a dica: ao chegar, corra para o topo o mais rápido possível, assim talvez você consiga garantir um lugar sem ninguém na frente, quiçá sentado.

Ah sim, boatos que daria para ver o Borobudur lá de cima, mas nem sinal.

SOBRE O MAIOR TEMPLO BUDISTA DO MUNDO

maior templo budista do mundo

O Borobudur visto lá de baixo | Foto: Manu Pontual

Particularmente, achei incrível. Ele é, de fato, gigante – e olha que os de Bangkok também são. Mas bem diferente do que vimos na Tailândia, o Borobudur é feito de pedra e isso transmite uma sensação de força, de solidez, que eu não saberia explicar. E também tem o lance da energia: sou um cara cético, sim, mas tem determinados lugares que me despertam alguns aspectos sensoriais mais profundos, como aconteceu quando fui para Machu Picchu, quando vi uma noite estrelada do meio de um deserto e também lá no maior templo budista do mundo. Isso, sei menos ainda por onde começar a explicação.

A estrutura é o seguinte: são seis plataformas em formato quadrado, outras três circulares, com um domo central cercado por 72 estátuas que representam o Buda sentado em um stupa – monumento tradicional budista, que se parece com um sino vazado. Tudo isso empilhado. É incrivelmente bonito. A história também é interessante, principalmente por ser misteriosa: diz a lenda que o templo foi iniciado no século VIII, mas abandonado e absorvido pela selva, com a vitória do islamismo sobre o budismo na região. Aí chegaram os ingleses, em 1814, encontraram as ruínas e começaram sua reconstrução, que foi concluída no século XIX, sob supervisão da UNESCO, que transformou o local em patrimônio cultural da humanidade.

O melhor de ter visto o nascer do sol nas montanhas foi chegar cedo ao Borobudur. Por volta das 7h da madrugada já estávamos dentro do complexo que abriga o maior templo budista do mundo e fomos um dos primeiros a chegar ao topo da estrutura. Foi uma baita experiência, que valorizamos muito.

E PRA FECHAR: O PRAMBANAM

maior templo budista do mundo

O Prambanam, visto de longe | Foto: Rapha Rotta

Foram mais de duas horas no trânsito para chegarmos ao terceiro e último destino do nosso tour, o Prambanam: um complexo que abriga o Loro Jonggrang e o Sewu, respectivamente maior tempo hindu da Indonésia e segundo maior templo budista (só perde para o Borobudur) da ilha de Java. A história do monumento é bem parecida: foi construído, abandonado, perdido na selva, achado pelos ingleses, começou a ser reconstruído na velocidade de um cágado, até que veio a UNESCO e deu um gás, para finalizá-lo no século XIX.

Existem várias teorias sobre a história do local, assim como algumas lendas. Escolhi a que mais gostei, para compartilhar aqui:

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Segundo a lenda: a estátua da princesa de Yogyakarta | Foto: Rapha Rotta

Quando o príncipe de Bandung venceu o Rei de Java e, além do reino, conquistou o direito de ser casar com a princesa, ela – muito astutamente, na minha opinião – impôs uma condição: ele deveria construir, em 24 horas, um templo com mil estátuas em homenagem aos deuses hindus.

Desafio aceito e lá foi ele. Mas eis que, pouco antes do fim do prazo, quando 999 das imagens já haviam sido completados, a espertinha da princesa colocou fogo em uma cidade vizinha, criando a falsa imagem do sol nascente e de que o príncipe havia fracassado.

Só que desde sempre a mentira tem pernas curtas: o príncipe descobriu a pilantragem e amaldiçoou a princesa, transformando-a na milésima estátua do complexo, que ainda hoje reside ali no templo principal, que é dedicado a Shiva.

A estrutura do lugar também é muito bonita e imponente. Na parte hindu, são três templos principais, cada um dedicado a um dos principais deuses do hinduísmo, Shiva (o Destruidor), Brahma (o Criador) e Vishnu (o Guardião), além de outros três templos secundários. Já na área budista, há um templo principal que é cercado por diversas construções menores. E as ruínas estão por todos os lados, já que o local foi significativamente danificado pelo terremoto que assolou o local em 2006.

Aqui, nossa experiência de visita foi bem diferente, pois chegamos mais tarde e já havia uma multidão de pessoas por ali, o que faz tudo ficar mais difícil – da conexão com o lugar às fotos. Mas faz parte.

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Sewu, segundo maior templo budista da Indonésia | Foto: Rapha Rotta

ENTÃO AGORA CONTA SE VALE A PENA FECHAR O PACOTE TURÍSTICO

Depende muito do ponto de vista, então vamos por partes:

  • Financeiramente falando, é consideravelmente mais caro fechar o pacote do que visitar os dois templos por conta própria, mas também é muito mais conveniente ter alguém para te levar de um lugar ao outro, ao invés de se aventurar na raça pelo transporte público indonésio (o Borobudur fica a 2h de Yogyakarta, enquanto o Prambanam a quase 1h).
  • Com relação ao tempo para aproveitar cada coisa (foram cerca de duas horas em cada parada), achei suficiente – teríamos ficado mais, se pudéssemos, mas também não saímos de lá com a sensação de que não conhecemos direito.
  • Para quem tem pouco tempo em Yogyakarta, o passeio é uma forma bacana de “matar” as duas coisas no mesmo dia, porém isso significa chegar em algum dos dois mais tarde e, portanto, lidar com a multidão – quem for sozinho (ou tiver verba para pagar dois pacotes turísticos) pode visitar um a cada dia, chegando cedinho em cada um, e com certeza vai ser mais legal.
  • O nascer do sol, que só dá para conhecer de maneira independente por quem tiver um carro, já que o transporte público não é 24 horas, não é exatamente algo imperdível, devido à multidão gritando, com direito a drones voando e tudo mais. Porém, compensa chegar no templo logo na sequência – e duvido um pouco da motivação das pessoas para fazerem isso por conta.

Ou seja, tem que avaliar todos os pontos e descobrir, no seu caso, o que vale mais a pena. No nosso caso, não nos arrependemos: com o Ramadã a pleno vapor, seria complexo visitar as duas atrações de maneira independente e estávamos, confesso, cansados do perrengue de não conseguirmos nos deslocar com fluidez; mas por outro lado não tínhamos verba suficiente para bancar dois pacotes diferentes, que nos permitissem visitar um lugar a cada dia.

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Sobre o autor

Rapha Rotta

Sócio-fundador da Plot, se apaixonou por viajar quando mochilou pela Europa e, desde então, não parou mais: depois de alguns lugares na América do Sul e outros da América Latina, hoje vive no sudeste asiático, onde tenta comprovar a teoria de que é possível, sim, "viver de viajar".