Matando a saudade…

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Coxinhaaaaaa...

Coxinhaaaaaa… | Foto: Bárbara Bayer

…como dá! Outra dificuldade enfrentada pelo “Ausländer” (= fora do país, estrangeiros) é o chamado “Homesick”. Aos poucos todo mundo se adapta a vida em algum outro lugar. Aprende um pouco mais da cultura, dos costumes e vai entrando no clima. Mas sempre tem aqueles “detalhes” rotineiros da sua vida no Brasil que fazem a saudade bater mais forte.

Eu demorei mais de dois anos para voltar a primeira vez para casa desde que decidi me mudar para a Alemanha. Não foi fácil ficar tão longe de tanta gente, e de tanta coisa. E ainda não é. “Sexta-feira, final de expediente, você liga para aquele amigão e combina espontaneamente de tomar uma cervejinha naquele boteco da esquina que vocês costumavam frequentar nos tempos da faculdade.” Ler isso pode parecer muito trivial. Uma situação que você vivencia quase toda semana. Ao contrário, eu já não prático isso há mais de dois anos. Aqui na Alemanha, as pessoas combinam as coisas com muitas semanas de antecedência. A agenda é sempre muito bem planejada. Planos de última hora acontecem muito raramente (para não dizer nunca!). A espontaneidade da nossa cultura é uma das coisas que sinto falta.

Outra delas é a nossa culinária por exemplo. O que às vezes eu não faria/ pagaria/ daria por um pastel de feira. Carne com queijo e aquele vinagretezinho esperto nas melhores mordidas!!! HUM… Outra trivialidade para você que está ai desse lado do oceano…. Mas chega de salivar e vamos ao que interessa: como sobrevivemos, então, sem essas delícias por tanto tempo?

Primeiro, ao embarcar traga consigo alguma reserva. Eu mesma, ao voltar para a Alemanha após minha primeira visita em casa, agora em janeiro, trouxe comigo 1kg de feijão preto e 1kg do tipo carioca + farofa. Tento cozinhar comidinhas caseiras (e neste caso, brasileiras) pelo menos uma vez por mês. Com o estômago cheio é um pouco mais fácil enfrentar alguns perrengues. Claro que encontrar os ingredientes aqui nem sempre é tão fácil, por isso, sempre que dá faça uma listinha para um carregamento de guloseimas. Via correio, família, amigos, conhecidos e até parente do colega, do amigo da sua amiga está valendo! Alguns exemplos de pedidos clássicos meus são: pão de queijo de pacote, sonho de valsa e/ou ouro branco, algumas bolachas e até miojo. Confesso que quando morava no Brasil, bolacha não fazia parte de jeito nenhum da minha lista de supermercado. Mas aqui, de vez em quando, gosto de saborear uma Passatempo recheada! Uma loucura que já cometi por saudade gastronômica: talvez pela minha deliciosa obsessão por pastel, fiz o meu pai me trazer um rolo de massa quando ele veio me visitar.

Outra forma de matar a saudade é frequentando as “pequenas” comunidades de brasileiros ao redor do mundo (que como muitos de vocês já devem saber, não são tão pequenas assim! Tem brasileiro em todo lugar… às vezes acho que somos tipo gremlins – jogou água, apareceram mais 7!). E assim, uma vez ou outra você pratica falar sua língua materna, escuta músicas antigas (afinal já faz tanto tempo que você não vai para casa que já não sabe o que está nas paradas de sucesso), faz aquelas piadas e brincadeiras que só os brasileiros entendem ou conseguem dar risada.

A tecnologia também tem papel importantíssimo no encurtamento da distância. As mídias sociais e o famoso Whatsapp são ferramentas incríveis! Além do famoso, meu smartphone carrega algumas outras, como: Skype, Facebook, Twitter, Viber, Hangouts, Instagram, Snapchat, LinkedIn, Xing etc. A minha confusão só se faz quando envio uma mensagem por Facebook e me respondem por Whatsapp, e que daí eu envio uma Snapchat e continuamos o bate papo no Skype. Mas misturas pessoais a parte, o importante é estar em contato com aqueles que te fazem se sentir em casa mesmo a muitos km de distância.

Por fim, meu jeito pessoal de diminuir quem as vezes me corta o coração é colocar para tocar aquelas músicas que te lembram tempos incríveis e cantar, dançar, relembrar… Faço isso constantemente mesmo que do lado de fora. Acredito que sou vista pelas ruas de Karlsruhe como a menina louca que dança, canta, dá risada, fala, gesticula sozinha. E que de certa forma faz com que as pessoas atravessem a rua ou andem para outra direção. Mas nem assim me sinto só.

Aqui, começa a primavera. O sol tem se mostrado todos os dias, cada vez mais forte. Ou seja, o calorzinho começa a esquentar o coração. Agora é ainda mais o momento, em que coloco os fones de ouvido e caminho entre os raios de sol, matando a saudade como dá!

Dica: Pão de queijo, cachaça e havaianas são ainda lembranças/ presentes interessantíssimos para oferecer aos gringos.

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Sobre o autor

Bárbara Bayer

Relações públicas, viajante de carteirinha e locatária de uma kitnet na Alemanha. Joga amadoramente handball e, quando ninguém está olhando, faz dancinhas bizarras, seja para comemorar, para espantar o frio ou só porque lembrou de uma música que adora. Escreve a coluna Alltag, sobre sua vida em Karlsruhe, na Alemanha.