Que tal uma visita ao médico na Tailândia?

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Depois da experiência de ficar doente nas Filipinas, eu fiquei com um pé atrás da medicina asiática (se você não entendeu, dá uma olhada no post que, garanto, vale a pena) – deu tudo certo e foi um daqueles episódios históricos que com certeza não vou esquecer, mas daí a querer repetir, acho que não é o caso. Corta a cena, dois meses depois, lá vou eu para uma visita a um médico da Tailândia.

O mantra que repeti (e ainda repito) todos os dias, desde que eu e a Manu fizemos xixi para o exame de urina no mesmo potinho é: não ficar doente, não ficar doente, não ficar doente, não ficar doente. E eu achava mesmo que ia me sair bem nisso, porque se já é raro eu ter uma gripe, cair de cama a ponto de precisar ir ao médico, então, improvável. É aquela velha história do raio que não vai cair duas vezes no mesmo lugar. Mas eu realmente não contava com a astúcia do universo e tive, acreditem se quiser, tendinite.

Analisem a situação comigo: você joga handebol por mais de 15 anos e trabalha direto por 10, sem qualquer sinal de tendinite. E aí bastam sete meses viajando e trabalhando para a maldita se manifestar. Tudo bem que a gente não tem uma superestrutura para trabalhar, que mesa é luxo e ônibus é escritório, mas daí a ter um raio de uma inflamação no braço direito? Acho injusto. Se ainda fosse no esquerdo, vá lá, mas no direito não, muita sacanagem.

O DIAGNÓSTICO

Um belo dia de sol em Lombok, na Indonésia, sai para um passeio repleto de snorkel em águas turbulentas, que exigiram bastante esforço para evitar um choque com as pedras do entorno. No fim do dia eu estava com dor no antebraço. Junta a atividade do dia com o fato de eu não ser um nadador muito assíduo, aceitei a dor sem chiar, porque achei que fazia sentido.

Mas aí vieram os dias, um após o outro, para me mostrar que não era só um cansaço ou uma dor muscular sem importância. A dor foi aumentando, até chegar ao ponto em que eu não conseguia mais esticar o braço. E aí, eu te pergunto: de que me adianta um braço direito que não estica?

Fiz uma pesquisa avançada na internet e todos os sinais de que eram tendinite estavam lá, acompanhados de uma sugestão de tratamento certeiro: cinco dias de anti-inflamatório (que nós tínhamos na bolsa de remédios) e gelo (que não é o item mais abundante na Indonésia, mas dá para conseguir). De quebra ainda fizemos uma tipoia de canga e ficou claro que a situação estava pra lá de resolvida. Só que não.

Mais dias se passaram, mas quem não passou foi a dor. E aí não teve jeito, tive que dar o braço a torcer, tomar coragem e decidir: vou ao médico – mas não na Indonésia, pode ser na Tailândia, já que em alguns dias vamos para lá? Pode.

PREFERI DEIXAR PARA IR AO MÉDICO NA TAILÂNDIA PORQUE…

…os serviços médicos da Tailândia são reconhecidos internacionalmente por sua qualidade – inclusive, existem diversos relatos de viajantes que recorreram a algum tipo de atendimento no país e tiveram ótimas experiências. Uma delas, aliás, é a Manu, que se acidentou em uma moto na primeira vez que foi para lá e deu tudo muito certo. Já era mesmo o nosso próximo destino, mais especificamente para Chiang Mai, que é uma cidade grande, então achei melhor e mais seguro.

A EXPERIÊNCIA EM SI

Antes de falar da visita ao médico na Tailândia em si, gostaria de fazer um adendo para elogiar, mais uma vez, nosso plano de saúde – a VitalCard. Assim como no episódio das Filipinas, o serviço deles foi muito eficiente. Entramos em contato em um dia, no outro já estávamos com a liberação para a consulta e o endereço do hospital, o Chiang Mai Ram Hospital (me avisem se precisarem de uma cotação que podemos agilizar por aqui, ok?).

Mas vamos ao que interessa. Cheguei no hospital e, como minha referência era o consultório das Filipinas, meu queixo já caiu: moderno é pouco para descrever. Expliquei para a moça da porta o meu caso e fui direcionado para a recepção internacional. Toma essa, mundo: INTERNACIONAL. Só para gringos. Com faladores fluentes de inglês no atendimento, que já estavam me esperando, me levaram para outro lugar, onde comecei a preencher um cadastro. Eis que fui interrompido por ninguém mais, ninguém menos, do que o próprio médico, já pegando meu braço e começando, ali mesmo, uma pré-consulta. Bati com o queixo no chão.

médico na Tailândia

Hospital em Chiang Mai: fino! | Foto: Manu Pontual

Em menos de cinco minutos, expliquei a situação, respondi perguntas e estava na sala de Raio-X. Não na recepção. Na sala mesmo, lá dentro, fazendo o exame. Terminei, fui levado até uma sala de espera e pensei: “agora vou ter que esperar um pouco”. Só que não. Antes que eu pudesse terminar um capítulo no meu livro, uma enfermeira me chamou para alguns exames de rotina, tipo medir a febre e tirar pressão. Tudo resolvido em mais 5 minutos.

médico na Tailândia

O Raio-X mais rápido do oeste, quer dizer, leste | Foto: Manu Pontual

Voltei para a mesma sala de espera, reabri o livro e novamente fui interrompido em poucos parágrafos. Dessa vez era o médico, já com o resultado dos exames, o diagnóstico e as prescrições. Era tendinite, de fato, e a solução foi: uma injeção de cortisona aplicada pelo próprio e não por uma enfermeira que fica em outro setor e demora horas para te atender; alguns dias de anti-inflamatório e relaxante muscular; e repouso de três dias. Vale dizer também que antes de me receitar os remédios, ele perguntou se eu já estava tomando algum medicamente. Quando contei sobre o anti-inflamatório (Nimesulida), ele deu risada e me disse que não se usa mais na Tailândia, porque foi comprovado que não é efetivo e ainda por cima faz mal para o rim. Ops.

médico na Tailândia

Meu kit de medicamentos | Foto: Rapha Rotta

Depois disso, ainda passei na farmácia do próprio hospital, que já estava com a minha ficha e entregou todos os medicamentos em sacos identificados, com as orientações sobre os horários em que deveria tomá-los. Com isso, o processo todo de visitar um médico na Tailândia, do começo ao fim, levou 1h30. Não sou de ficar fazendo comparações, mas é impossível não pensar que esse é o tempo que demoraria só para conseguir chegar no carinha da recepção no Brasil.

PS.: em cinco dias, não havia sinal da dor e do problema.

O que achou? Conta aqui pra gente :)

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Sobre o autor

Rapha Rotta

Sócio-fundador da Plot, se apaixonou por viajar quando mochilou pela Europa e, desde então, não parou mais: depois de alguns lugares na América do Sul e outros da América Latina, hoje vive no sudeste asiático, onde tenta comprovar a teoria de que é possível, sim, "viver de viajar".