Bentornato: morar fora é intenso

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Um amigo me disse que morar fora é sentir intensamente a relatividade do tempo.

Uma descrição longe da física quântica, mas do quanto no fim, o que conta é a sua sensação sobre o inevitável passar do tempo. Afinal, ele é idêntico para todos e implacável no corroer de suas horas e minutos. Mas nos afeta de forma diferente. Especialmente morando fora, longe de todos os segundos que te formaram até então.

Morando fora você não só os gasta em outra moeda, mas com uma intensidade diferente.
Longe você pensa que no seu eventual retorno tudo estará diferente. E quando de volta para uma visita, repara que tudo foi encaixotado somente na sua memória. Claro que as vidas e histórias que você parou de acompanhar de perto seguiram seus caminhos e também mudaram. Mas a impressão é que a sua seguiu em um duplo twist carpado – entre ansiedades, aprendizados e novas experiências – fazendo com que o mesmo período de um ano parecesse cinco.

Essa sensação de que sua Casa – família, amigos, lugares favoritos – não mudou tanto assim é também reconfortante. Ela preenche suas expectativas de reencontrar tudo que você sentiu mais falta – principalmente nos períodos que pensava que tudo daria errado. Seu porto seguro está intacto, são e salvo e com a alegria de um Axé Moi a lhe esperar.
E como uma cenoura na frente de um burrico, ela te motiva a seguir em frente. Te garante que quando der suas nove horas (olha o tempo aí, de novo) você pode pegar todos seus segundos convertidos de euros, dólares australianos ou qualquer outra moeda estrangeira e voltar.

E com eles, investir mais uma vez na mais promissora das start-ups: frio na barriga.

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Sobre o autor

Fábio Lattes

Um franco-campineiro se aventurando nesse mundão em cima de um teclado. Autor da coluna Ciao!, onde conta sobre suas experiências em Turim, na Itália.