Nossa visita ao Monte Bromo

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Um belo dia, resolvemos sair de Yogyakarta e ir até Bali. A princípio, faríamos essa viagem com nossos amigos, Gabi e Fe, que iam passar seus últimos dias na Indonésia lá em Bali. Mas, quando fomos checar as formas de se locomover de um lugar ao outro, descobrimos que os dois trajetos abaixo custavam exatamente o mesmo valor:
Opção 1: pegar um avião em Yogyakarta e, em uma hora, chegar em Bali
Opção 2: fechar um tour para ser buscado de manhã no hotel por uma van, que nos levaria por 20 curtas horas até uma cidadezinha ainda em Java, onde dormiríamos por 3h para acordar e ver o nascer do sol no Monte Bromo para, então, voltar para o hotel, tomar um café da manhã e então seguir, de ônibus, por mais 16h para, enfim chegar em Bali.
O que vocês acham que a gente escolheu, né? Obvio que a opção 2, que bobos não somos. Portanto, esse texto será um relato sobre essa escolha, para que vocês, quando estiverem na Indonésia indo de Yogyakarta até Bali, tenham informações suficientes para tomar a decisão mais apropriada para a sua viagem.
A jornada começou alguns dias depois do planejado, pois tivemos que esperar o fim do Idul Fitri (Idul Fitri é o feriado de “fechamento” do Ramadã, em que praticamente todos os muçulmanos voltam para suas cidades-natal, para confraternizar em família – é tipo o nosso natal, e daí vocês podem imaginar que pouco acontece em termos de turismo durante esse período). Então, no dia tal, saímos de Yogyakarta em uma van com aproximadamente 16 pessoas, e na qual eu já cheguei causando uma péssima impressão: assim que entrei na van me sentei e demorei uns minutos me acomodando – sabe como é viagem longa, né? Pega fones de ouvido daqui, ipod dali, travesseiro, kindle, guarda o dinheiro, pega a água, decide onde vai encaixar tudo no espaço que você tem – para, quando estava tudo já organizadinho no meu assento, ter que trocar de lugar com uma moça mais velha que estava se sentindo desconfortável.
Foi então que me sentei finalmente no meu novo lugar, rearrumei todos os aparatos no espaço que tinha e percebi: cadê meu celular?? Falei baixinho pro Rapha: “amor, não to encontrando meu celular”, e a cada palavra o desespero aumentava. Comecei a mexer louca em todos os bolsos da mochila. O que fazer, o que fazer, não podemos ir até Bali sem o meu celular, não quero comprar outro, oh-my-god-vou-surtar. Meus olhos encheram de lágrimas, porque eu sou adulta e centrada, enquanto eu perguntava pro Rapha “e agora?”, e ele sugeria que a gente deveria fazer o ônibus voltar ao hotel para procurar por lá – mas como eu poderia fazer isso, né? E a vergonha maior do mundo? Jamais, vamos achar esse celular aqui dentro mesmo.
Eis que duas suecas viram meus olhos chorosos e meus movimentos nada discretos e perguntaram o que tinha acontecido e, quando eu contei, elas imediatamente mandaram o motorista voltar ao hotel. Me encolhi à minha insignificância, morta de vergonha, e enquanto voltávamos, ainda pedi à menina que estava sentada no meu banco antigo para verificar se ela não encontrava meu celular. Disse que não. Claro que, chegando ao hotel, não achei rastro do aparelho nem no lobby, na cozinha, no quarto, em lugar nenhum e, já me dando por vencida, a gerente pediu para ligar para ele. Voltamos para a van para ver se ele por acaso estava tocando na minha mochila. Ele estava tocando, mas não na minha mochila – e sim embaixo da menina que sentou no meu banco antigo e que disse que não tinha nada por lá. Quer dizer, bela forma de iniciar uma jornada de 20h com coleguinhas novos na van, né?
Acho que minha salvação é que esses minutos de trajeto tontamente perdidos foram suplantados pela presença de um grupo de 8 espanhóis, que tornaram as horas de trajeto bem mais desagradáveis do que elas já seriam naturalmente. Eu não tenho nada contra espanhóis, nem posso julgar muito gente que viaja em grupo, já que eu mesma amo faze-lo, nem posso julgar que essas pessoas falem alto sem parar, já que eu falo alto naturalmente e, num grupo de amigos, é quase impossível não fazer isso. Só agradeço muito, muito mesmo, a existência de um ipod na minha vida – o Rapha já não pode dizer o mesmo. E também agradeço a presença dessas pessoas, que fizeram com que meu incidente logo fosse esquecido ;)
Chegamos em Cemoro Lawang, a cidade-base para quem vai explorar o Bromo, por volta de 0h, autorizados a dormir por longas 3h – já que a saída para assistir ao nascer do sol no Monte Bromo era às 3h30.

Monte Bromo, Indonésia

A natureza não cansa de nos surpreender | Foto: Rapha Rotta

Nos levantamos meio zonzos, nos juntamos à enorme massa de turistas e embarcamos em um 4×4 que nos levou até o alto. Quer dizer, até quase o alto – ao chegarmos no parque do Monte Bromo, nosso motorista informou que não conseguiríamos chegar ao topo para ver o nascer do sol, pois lá já estava cheio, e parou o carro no meio do caminho e nos apontou uma encosta – “pode ver dali”. Descemos do carro num frio desgraçado (sério, a gente estava longe de ter roupas adequadas para aquele frio) e percebemos que não estávamos nem um pouco sozinhos nessa encosta, já que vários outros carros fizeram o mesmo e, conforme o sol foi nascendo, fomos vendo que a encosta tampouco dava visão para o sol propriamente dito. Então, após tanto perrengue, nós não vimos o nascer do sol no Monte Bromo.

Monte Bromo, Indonésia

Mesmo sem o sol, um espetáculo – olha esse mar de nuvens! | Foto: Rapha Rotta

Depois de nos convencermos de que o sol realmente não ia aparecer ali pra gente, voltamos ao carro, que nos levou até o início do caminho para subir até a cratera do vulcão propriamente dito. Essa parte foi bem legal. Quer dizer, estava cheia de gente, havia muito pó, muitos cavalos tristes (pedido: se você chegar até lá, por favor, não contrate os cavalos para leva-los até a entrada. Eles são muito mal tratados!), mas a vista enquanto a gente subia os degraus até a cratera (sim, tinha degraus até a cratera do vulcão), o sol (finalmente!) surgindo por entre a neblina, a cratera do vulcão, o vapor que sai de dentro dele, tudo foi mágico.

Monte Bromo, Indonésia

Uma escadinha de leve pra subir na cratera | Foto: Manu Pontual

Monte Bromo, Indonésia

Finalmente, o sol nasceu pra gente! | Foto: Manu Pontual

Nesse momento, apesar de tudo, senti que valeu a pena estar no Monte Bromo naquelas circunstâncias – considerando que minha única outra opção era não estar ali, já que não cogitamos ir de outra forma ao Bromo, a não ser como passagem para Bali.

Monte Bromo, Indonésia

Inchados, cansados e felizes! | Foto: amiga espanhola da van

Ao voltar para o hotel, ainda nos deparamos com a situação de ter apenas uma torrada com manteiga para comer no café da manhã, o que nos tirou do sério, já que os locais podiam comer arroz frito que parecia estar uma delícia, então partimos para um outro hotel, onde pagamos uma pechincha para ter direito a um buffet de café da manhã (nunca comi tanto!). Por volta das 9h30 entramos novamente em um ônibus para chegar em Bali dali a 16h. Rsrs… Acertamos na escolha, vai!

Monte Bromo, Indonésia

Uma perspectiva da imensidão que nos rodeia | Foto: Manu Pontual

Essa não é (e nós sabíamos disso), de jeito nenhum, a melhor forma de conhecer o Monte Bromo, mas não tínhamos saída: a opção de ir por conta própria não era recomendada nessa época do Idul Fitri, quando os serviços de turismo ficam suspensos e os transportes completamente lotados. Mas, para quem for fazer a viagem em uma época mais tranquila, aí vão alguns conselhos:

1. Sim, vale muito à pena ir ao Bromo
2. Não faça como nós e o considere apenas como ponto de parada: dê-lhe tempo
3. Não precisa ver o nascer do sol, é abarrotado de gente
4. O pôr do sol parece ser uma experiência diferente. Vale checar ou, se for pra arriscar um dos dois, eu arriscaria o pôr do sol na próxima vez
5. Se não for época de feriado, é melhor (mais rápido, confortável e barato) fazer o trajeto de forma independente, pegando um trem para Surabaya, então um ônibus para Probolinggo e então outro ônibus para Cemoro Lawang

6. Fique 1 ou 2 noites em Cemoro Lawang, para ter tempo tanto para fechar um tour para subir no monte quanto fazer de forma independente essa parte também – é simples e, se você tiver energia, com certeza vale mais à pena fazer sozinho, no seu tempo, do que com um grupo de pessoas.

7. Caso faça como a gente, escolha muito bem sua agência. A nossa foi incrível, dentro do possível, pois a vendedora nos contou exatamente como seria tudo, com honestidade – que demoraríamos quase 20h, por causa do trânsito, na van; que o hotel seria ruim; que seria frio etc. Mas isso não é comum: tinha gente na nossa van que achava que seriam apenas 6h de trajeto, outros que teriam buffet de café da manhã, almoço, entre outras malandragens que as agências falam pra fazer a venda. Além disso, muita gente reclama de vans apertadas e sem ar-condicionado, o que não foi o nosso caso. Infelizmente, não estamos encontrando o nome da nossa agência, mas o telefone da vendedora é 081-215-630418, seu nome é Retno. A agência fica na rua Jl. Prawirotaman.


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Sobre o autor

Manu Pontual

Sócia-fundadora da Plot, Manu é aquariana de corpo e alma. Apaixonada por viagens e por mudanças, largou tudo que tinha de fixo na vida para morar na Ásia, na busca por um modelo de vida e trabalho que tenham mais a ver com a sua essência.