O auge da semana

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A minha última semana atingiu um dos seus auges de interculturalidade. As diferenças entre culturas são quase sempre muito explícitas. No entanto, há algumas particularidades que a gente só percebe com o tempo e/ou conforme a frequência e intensidade dos relacionamentos que você mantém em um país. E para aprender sempre sobre e com essas diferenças, a gente pergunta, analisa e até imita de vez em quando para se sentir parte integrante daquele grupo. Essa semana, no entanto, o processo aconteceu inversamente. A minha vizinha me fez uma pergunta muito direta: “o que você quer dizer quando diz sim?”. Na hora, fiquei surpresa e meio que sem entender. Mas logo me dei conta do que ela gostaria saber.

Os alemães são muito comprometidos e organizados. Se eles dizem que vão a determinado evento, eles vão mesmo e são sempre pontuais. Não há meio termo, ou qualquer imprevisto. [Aqui, de novo, entra a falta de espontaneidade que comentei em um post anterior.] Se está planejado, irá acontecer. Foi então que fiz a ponte. Ela queria entender por que os meus “talvez” se tornam “não” de vez em quando; e os meus “sim” se tornam “talvez”, e que por sua vez podem vir a se tornar “não”.

Apesar de já estar acostumada com a cultura aqui e planejando já todos os meus “sims” e “nãos”, muito organizadamente, ainda tem alguns momentos em que esse pendulo entre sim, talvez, e não acontece. Às vezes porque espero que algo espontâneo aconteça, mas muitas vezes, porque não consigo planejar algumas coisas com tanta antecedência. Já tive que planejar uma balada com um mês de antecedência e no dito cujo final de semana perdi a vontade de ir e cancelei. Logo, desapontei a minha amiga alemã. Fiquei em saia justa, mas a balada não era nada demais e naquele final de semana acordei meio que sem muita disposição para ouvir eletrônico ou música alemã (sim é o que mais toca nas baladas por aqui). Esse é só um exemplo de como as respostar podem pendular.

Este acontecimento foi um auge da semana, porque não tinha reparado como a nossa cultura, ou entendimentos “básicos” entre nós do mesmo grupo, se torna algo tão enigmático para os outros. Foi interessante compartilhar com minha vizinha um pouco da nossa espontaneidade, do nosso jeito de deixar para decidir algumas coisas de acordo com o nosso humor e vontades do momento. Ela foi super receptiva a essa forma de agir. Não acredito que irá incorporar, no entanto, ela compreende agora um pouco mais da dinâmica brasileira.

Por fim, estar na gringa, não proporciona só aprendizados sobre o outro, mas também sobre nós mesmos. Esse é um dos exemplos infinitos que tenho experimentado. Aprendo todo dia algo novo sobre o outro e sobre mim mesma (e sobre o Brasil!). E assim, continuo a jornada… que venha mais uma semana!

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Sobre o autor

Bárbara Bayer

Relações públicas, viajante de carteirinha e locatária de uma kitnet na Alemanha. Joga amadoramente handball e, quando ninguém está olhando, faz dancinhas bizarras, seja para comemorar, para espantar o frio ou só porque lembrou de uma música que adora. Escreve a coluna Alltag, sobre sua vida em Karlsruhe, na Alemanha.