O choque cultural ao visitar o Brasil

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E quando você muda para o exterior e volta para visitar o Brasil de vez em quando? Será que tem choque cultural? Com certeza. Desde que me mudei para a Europa em Março de 2011, sempre tento visitar a família uma vez ao ano. De lá para cá já visitei o Brasil quatro vezes e em todas elas senti o tão famoso choque cultural, aquele que tende a nos deixar com a sensação de estarmos deslocados e fora do lugar.

Alguém já sentiu? Provavelmente todos que já mudaram de país, seja do Brasil para o exterior ou vice-versa. Sinto isso todas as vezes que retorno às terras brasileiras, atos comuns que costumava praticar, agora parecem estranhos. Na minha mais recente visita o choque foi ainda mais forte. Será que quanto mais o tempo passa maior ele é?

Esse choque cultural está em pequenos detalhes, coisas que quem vive no Brasil nem nota o quão diferente podem ser em relação ao país de onde você está vindo, no meu caso, Alemanha. A etiqueta na mesa é um exemplo. Na Alemanha, me acostumei a esperar todos serem servidos para começar a comer, no Brasil raramente é assim. Colocou no prato: atacar!

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Foto: Allane Milliane

Outro exemplo? As filas nos bancos. Na Alemanha filas nos bancos são praticamente inexistentes, talvez porque lá não existem mais cheques nem pagamentos em boleto. Tudo pode ser feito online e é seguro. Precisei ir ao banco para sacar dinheiro e tomei um susto quando olhei a quantidade de pessoas que tiveram a mesma ideia na mesma hora que eu. Opa, tinha esquecido como são os bancos por aqui.

E a vida em torno do trânsito? Principalmente em cidades grandes, marcar um horário quer dizer chegar pelo menos meia hora atrasado. Ou seja, pontualidade fica para os alemães, porque no Brasil o trânsito caótico não permite esse tipo de luxo. Talvez com a ajuda do Waze alguns caminhos sejam cortados, mas não significa dizer que chegará em ponto.

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Trânsito em SP | Foto: Allane Milliane

Quando o assunto é a sua vida pessoal, é família, cabeleireiro, manicure, taxista, agente de aeroporto, todo mundo querendo saber com o que você trabalha, se é casado, se tem filhos, cachorro, papagaio ou periquito, quantos anos tem e por ai vai. Às vezes me surpreendo com as perguntas que as pessoas me fazem, na Alemanha, me acostumei com uma vida mais reservada. Mas ai lembro que essa é uma forte característica de nós brasileiros que estará sempre conosco. Até terminar de fazer as unhas a manicure já sabe da minha vida toda. Ai, ai, ai!

Falando em beleza, e essa vaidade toda? Às vezes me esqueço como eu me importava em estar acompanhando a moda quando vivia no Brasil. Hoje em dia, uso o básico e a minha mãe acha sem graça. Será que virei uma sem graça e nem notei? Sim ou não, o que importa mesmo é que me sinto bem em não ter que sair pingando ouro por ai e com um salto que só machuca meu pé. Se isso é ser sem graça para alguns, para mim é feliz e confortável.

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Natal, no Rio Grande do Norte | Foto: Allane Milliane

Burocracia brasileira, como isso pode atrapalhar a vida de uma pessoa e complicar o dia a dia. Na Alemanha vejo as coisas acontecerem tão rápido e com eficiência, que acabei ficando mal acostumada mesmo, e quando chego no Brasil fico impressionada como tudo é demorado e complicado de se fazer. Seja para cancelar um plano de internet, fazer um novo seguro de saúde, reformar a casa, e até fazer um pedido correto no Mc Donalds.

Segurança nem se fala, depois de alguns dias no Brasil, volto para a Alemanha noiada olhando para os lados e segurando minha bolsa como nunca. Triste realidade. Crise. Eita palavra que não poderia faltar aqui para completar meus itens de choques culturais. O que está acontecendo no nosso país?

Na primeira vez que visitei o Brasil – 2012 -, depois de me mudar para a Europa, a cotação do Euro estava em torno de R$2,55, quanto está hoje? Só o dobro. Gente, para tudo! Fiquei milionária mesmo? Pior que não, porque a inflação não deixa barato, literalmente. Crise na Alemanha? Só de refugiados, inflação é quase zero. Os preços das coisas não aumentam todos os dias, pelo contrário, eles baixam de vez em quando.

É difícil não fazer comparações, não sou a primeira pessoa nem serei a última. Não é questão de ser melhor ou pior, mas de poder perceber essas diferenças e aprender a lidar com elas da melhor maneira, e ao mesmo tempo respeitando-as. Não dá para chegar em um país e tentar adaptá-lo à você, é o contrário.

E você que mora fora do Brasil, quais são os choques culturais que pegam mais ao retornarem à terrinha?

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Fortim, Ceará | Foto: Allane Milliane

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Sobre o autor

Allane Milliane

Apaixonada por viajar, mergulhar e por Fórmula 1, adora ler um bom livro, não dispensa uma taça de vinho e um macaron. Não se cansa de observar a cultura alemã e conta tudinho sobre suas viagens e sua vida na Alemanha no seu blog Packing my Suitcase, e a partir de agora também aqui no Mundo Plot.