Parada Gay NYC 2015 – O ponto de vista de uma pessoa hétero, casada e careta

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Moro em SP desde 2003 e nunca fui assistir a parada gay na Avenida Paulista. Mesmo sendo um dos maiores desfiles do mundo e um dos eventos que mais arrecadam dinheiro para a cidade. Talvez pela distancia da minha casa para o evento, a dificuldade de estacionar o carro ou ainda o transporte publico, a quantidade de gente, enfim… nunca me animei para assistir o desfile.

Eis que este ano estou em Nova York, exatamente no domingo da parada gay, coincidindo com a aprovação da lei que legaliza o casamento gay em todo território americano, o que tornou o desfile um evento muito mais vibrante.

DESDE A SEXTA-FEIRA (26/6), A CIDADE SÓ FALAVA NA APROVAÇÃO DA LEI!

Sendo assim, decidi ir ao desfile. Sai do apartamento e fui para a Union Square onde certamente eu conseguiria acompanhar grande parte do evento. Peguei o metro e o clima já era de muita alegria, muito colorido, com casais gays e heterossexuais, famílias com crianças e todos vibrando com a nova lei. Vale lembrar que este é o pais da liberdade de expressão e da democracia e que, certamente, independentemente de preferencias sexuais, a grande maioria dos americanos apoiaram a aprovação da lei.

Mas, vamos a minha experiência assistindo à Gay Pride NYC – e, aqui, não faço nenhuma comparação, visto que nunca tinha ido a um evento deste tipo.

A minha primeira observação é se tratar de um evento claramente americano, separado por alas, onde cada uma representa uma parte da sociedade civil do país, com seus nomes na abertura. E mais: um desfile com coreografias com bandeiras bem ensaiadas, balizas e carros de som de alta qualidade.

Vi alas que representavam igrejas, países, modalidades esportivas, empresas privadas – financeira e não financeiras -, associações gays, enfim…. todas com música ao vivo ou DJ. E, diga-se de passagem, todas as músicas agradavam ao publico presente, cada carro, com a sua, motivando o público durante todo o percurso.

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A ala de Israel na parada gay NYC | Foto: Angela Lima

Uma das alas que me chamou a atenção era de uma igreja gospel, que levou para a 5ª Avenida cantores com performances ao vivo, de uma qualidade extraordinária e aqueles vozeirões típicos de cantores gospel americano. Não havia quem não se emocionasse!

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O carro da ala Gospel na parada gay NYC | Foto: Angela Lima

No esporte, tinha a ala do vôlei, do futebol, da maratona (onde os componentes simulavam uma largada de maratona), da yoga, dos patins, entre outras. E os países? Estavam lá a Colômbia, Israel, alguns países latinos, africanos e também os chineses e japoneses. Enfim, a sensação é que todas as parcelas da sociedade civil estavam ali representadas. Um desfile muito bonito e interessante.

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A ala dos atletas de vôlei apoiando a causa na parada gay NYC | Foto: Angela Lima

O público vibrava com a passagem de todas as alas, animados pela boa música e pelo entusiasmo dos que desfilavam. Quem me conhece, sabe que adoro uma boa musica, então me diverti a valer.

SEM DÚVIDAS, UMA FESTA DA DEMOCRACIA E LIBERDADE DE EXPRESSÃO, INDEPENDENTEMENTE DE CREDO, PREFERENCIA SEXUAL, COR, GÊNERO ETC.

Uma curiosidade: a 5ª Avenida fica interditada a partir da 36th Street, ate final, perto da 8th Street. Neste trecho, alguns cruzamentos ficam abertos para os veículos que irão cruzar a 5ª. Avenida e os pedestres que querem passar de um lado para o outro. Desta forma, em alguns cruzamentos tínhamos o sinal de trânsito que abria/fechava para os automóveis, pedestres e para a Parada Gay. Quando o sinal fechava para o desfile, todos paravam e ficavam esperando para voltar a desfilar e neste tempo a musica e as coreografias aconteciam para o público presente naquela quadra. E, assim, sucedia-se o desfile. Tudo muito organizado, muito sincronizado e funcionando perfeitamente.

FOI UMA TARDE DIFERENTE, ALEGRE E INTERESSANTE

Não vi nenhum empurra-empurra, nem fui empurrada, não tinha sufoco, não nos sentíamos imprensados ou pouco confortáveis e, acima de tudo, nos sentíamos muito seguros. Realmente um passeio e tanto para um turista em NYC.

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Sobre o autor

Angela Lima

Brasileira, casada, filhos criados, profissionalmente realizada, e com um sonho a realizar: viver um momento novo na vida, viajando e vivenciando o mundo, com longas temporadas, quase moradora de cada local visitado.