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Passear com elefantes: uma experiência mágica, mas delicada. Entenda.

Senta, que lá vem história…

Os elefantes são mamíferos que habitam a Ásia e a África, originalmente. E, nos dois continentes, eles estão ameaçados de extinção.

Turismo consciente: passear com elefantes
Elefantes asiáticos em risco de extinção | Foto: Pixabay
Turismo consciente: passear com elefantes
Elefantes africanos também em risco de extinção | Foto: Pixabay

O relacionamento homem-elefante é histórico, seja por questões culturais, religiosas ou de subsistência. Você sabia que, no passado, reis asiáticos lutavam em cima de elefantes? Pois é. É uma história quase intrínseca, que elevou o status do elefante para simbologias religiosas e espirituais em muitos países. Só que, hoje, eles estão em ameaça de extinção por culpa do homem.

Na Ásia, a principal ameaça aos elefantes está na perda de território e no consequente conflito com fazendeiros e moradores de vilas rurais que, tendo suas áreas invadidas pelos elefantes (quanta ironia!), retaliam com veneno e armas de fogo. Já na África, o maior culpado é o marfim, encontrado nas presas dos elefantes, que fomenta a caça furtiva para exportação desse material, usado primariamente para produzir artigos de decoração e arte. Matamos elefantes pra ter belos artigos nas nossas casas. Toma essa, mundo.

Esse tópico é muito difícil para mim, principalmente depois de entrar em contato com esses imponentes animais selvagens.

Emocionalmente, pelo fato de que nós, humanos, estamos matando-os diariamente, por desejos e necessidades esdrúxulos de consumo. Racionalmente, porque é muito difícil compreender com clareza como ajudar, como agir e como tratar os elefantes. Mas depois de muita pesquisa e algumas conversas com uma instituição dedicada ao tema, eu decidi tentar e espero, com esse texto, inspirar você a mais do que fazer um tour correto e consciente, a se interessar pela história dos elefantes e também pesquisar e agir um pouco mais na causa.

TURISMO COMO PARTE DA SOLUÇÃO

No final das contas, apesar de controverso (até mesmo para os biólogos e estudiosos do tema) e longe do ideal, o turismo pode ser uma forma de melhorar as condições desses animais, desde que seja feito de forma correta.

É muito caro cuidar de elefantes. Só de comida, vão em torno de 200kg por dia por animal. Por isso o turismo, nesse caso, atua como financiador de campos de conservação e reabilitação, garantindo que haverá condições financeiras adequadas para alimentar, cuidar e proteger os animais até que estes estejam reabilitados para serem soltos em liberdade.

A parte crucial, porém é que a relação precisa ser do turismo a serviço dos elefantes, e não o contrário – o que, infelizmente, acontece pouco, apesar de cada vez mais. E é aqui que nós, viajantes de carteirinha, entramos, com uma responsabilidade e tanto.

COMO ESCOLHER UM TOUR DE ELEFANTES?

Turismo consciente: passear com elefantes
Escolher o tour correto é essencial para ajudar a causa dos elefantes | Foto: Manu Pontual

Não adianta apenas ir a algum lugar que tenha elefantes de qualquer jeito. É preciso fazer direito, senão estaremos contribuindo para a sua extinção, e não para a sua salvação. Mas nem isso é fácil: também não adianta selecionar uma empresa que se diga praticante do ecoturismo, já que muitas vezes isso é apenas uma jogada de marketing. Como não encontrei em nenhum lugar uma cartilha que esclareça quais são as condições adequadas para cuidados com elefantes, apesar de haver diversas recomendações aqui e ali, consegui juntar (e validar com especialistas) uma lista geral do que você deve encontrar em um campo de elefantes correto:

  • Em primeiro lugar, o objetivo do campo deve ser reabilitar os elefantes para voltar a viver na selva, no seu habitat natural, e não condicioná-los a viver para sempre no campo – não importa a justificativa para isso. A justificativa mais comum é que isso os protege dos perigos que correm em liberdade, e isso não faz o menor sentido. É tipo te enclausurar numa cidade fictícia (estilo Show de Truman) para evitar que você morra atropelado ou de bala perdida. Oi? Elefantes confinados vivem menos e se reproduzem muito menos do que os livres, o que também ameaça a espécie.
  • O campo precisa de espaço para que o elefante consiga passar pelo menos boa parte do tempo livre de correntes ou artifícios que os prendam. Apesar de não ser a forma correta de avaliar esse ponto, tente ao menos pensar proporcionalmente no tamanho do elefante e quanto de espaço ele precisaria pra viver sem se sentir preso. Então ponha na conta que são vários elefantes juntos. Conto com seu bom senso.
  • Falei de vários elefantes juntos no ponto anterior, e não foi à toa: elefantes não vivem sozinhos, são animais extremamente sociais. Então nada de visitar campos de elefantes que separam uns dos outros, ou que têm só um. Eles são bffs inseparáveis e devem ser cuidados dessa forma.
Turismo consciente: passear com elefantes
Os elefantes amam se amar! | Foto: Manu Pontual
  • Elefantes comem cerca de 200kg de comida por dia, e você não imagina que isso seja feito na velocidade do créu, né? Então quer dizer: tem que ter comida disponível o tempo inteiro. Eles se alimentam principalmente de plantas, folhas, raízes, grama, enfim, tudo o que é verde. E também de frutas e cana de açúcar.
  • Água também é essencial para o elefante, que precisa ter acesso a uma fonte de água fresca em seu habitat.
  • E também é importante ter espaços com sombra para que eles se protejam do sol.
  • Os cuidadores de elefantes (chamados de mahouts na Tailândia) não devem usar objetos agressivos na hora de dar ordens aos elefantes, como cabos que machucam, pedras, pregos etc. Os comandos devem ser feitos todos por voz e recompensa.
  • É de bom tom evitar palhaçadas feitas pelos elefantes, como truques e malabarismos. Deixem os elefantes serem elefantes! Para frisar a importância desse ponto, é essencial entender que existe um ritual antigo de treinamento dos elefantes, chamado phajaan (que pode ser traduzido como crushing ou esmagamento e entendido como quebra de espírito) que faz coisas extremamente cruéis com eles, com o objetivo de torna-los medrosos e subservientes. Se tiver estômago, busque o termo phajaan na internet e você entenderá o nível da crueldade.

Enfim, é tudo uma questão de bom senso, apesar de não ser tão fácil assim tê-lo. Nós acabamos de visitar um campo de elefantes na Tailândia e tínhamos certeza de ter acertado em cheio na escolha, mas parece que não foi bem assim.

CONHECENDO ELEFANTES NA TAILÂNDIA

Cortar cana de açúcar para alimentar os elefantes, receber aquele abraço de tromba tão especial, leva-los para passear e tomar banho junto com eles no rio. Nossa experiência no campo de elefantes foi nada mais nada menos do que mágica. Entrar em contato com esses enormes animais é indescritível de tão especial, e não deixa dúvidas do porque o turismo se beneficia tanto dessa atividade. Não dá para não querer participar.

Nós escolhemos o campo Chang Thai Heritage com base em pesquisas de onde não ir e recomendações de locais de Chiang Mai, que nos indicaram este como sendo não-abusivo e preocupado com os interesses dos elefantes.

Durante toda a nossa experiência, atestamos o amor que os mahouts têm pelos elefantes, a busca por cuidar deles da melhor forma possível e o fato do interesse dos elefantes e seus cuidadores, e não dos turistas, ser colocado em primeiro lugar. Mas é com muitíssimo pesar que eu concluo, depois de muita pesquisa que, ainda assim, não era cuidado suficiente, apesar das intenções.

Turismo consciente: passear com elefantes
Esse espaço é muito pouco para que os elefantes se movimentem | Foto: Manu Pontual

O principal problema que pude identificar no Chang Thai é que eles limitam o habitat dos elefantes a uma área coberta de alguns metros quadrados, onde passam o dia inteiro e saem apenas 1 ou 2 vezes para caminhar por trilhas pré-definidas, sempre levados pela “coleira” pelos seus mahouts. Apesar das explicações plausíveis que eles nos deram dentro do campo (que é preciso limitar pois em volta há plantações com pesticidas nocivos e venenosos aos elefantes, além do perigo humano), a verdade é que os elefantes precisam de áreas amplas para viver, precisam ficar soltos (e seguros) dentro dessas áreas e ter a liberdade de andar livremente para se exercitar. Ou seja, se há ameaças no entorno que impedem o habitat adequado, esse simplesmente não é um bom lugar para ter um campo de elefantes.

A segunda questão é que não ficou claro de onde vêm os elefantes. O gerente do campo nos contou que ele aluga os elefantes de uma mulher que tem mais de 200 deles, mas não ficou claro se isso é uma forma de resgate ou não – o que me parece, pensando bem, é que ela tem vários elefantes para alugar para campos e, portanto, essa prática está errada na concepção. O que o Chang Thai faria, nesse caso, é incentivar um negócio que mantém elefantes enclausurados para aluguel – bem lucrativo, por sinal.

Por fim, os elefantes do Chang Thai são bebês (têm de 3 a 5 anos) e deveriam estar com suas mães nessa idade, não poderiam ter sido afastados dela.

Portanto, infelizmente, por mais que tenhamos gostado da nossa experiência por lá, não podemos recomendar o Chang Thai Heritage. Dá um aperto no coração pois saímos de lá encantados e com a certeza de ter feito uma escolha correta. Mas bola pra frente.

MAS E AÍ, COMO FOI A EXPERIÊNCIA?

Como eu disse, mágica. Chegamos pela manhã junto com um grupo de mais 6 pessoas. O campo era uma área no interior, a pouco mais de 1h de Chiang Mai, que lembrava um pouco uma fazenda: muita calma, paz, tranquilidade; nenhuma internet; equipe simpática, simples, amorosa. Uma delícia!

Nos juntamos no que vou chamar aqui de base, para vestir os uniformes (necessários para não estressar ainda mais os elefantes com cores e detalhes) e ter uma introdução com o nosso guia, o adorável Tu, sobre elefantes, algumas palavras em tailandês (usadas para se comunicar com eles) e a programação do dia.

Turismo consciente: passear com elefantes
A base do campo, onde comíamos, recebíamos instruções e descansávamos | Foto: Rapha Rotta
Turismo consciente: passear com elefantes
Os comandos que aprendemos – não é nada fácil falar essas coisas em tailandês | Foto: Manu Pontual

De lá, partimos para o grande encontro. Pegamos cada um de dois a três caules de cana-de-açúcar e os cortamos em pedaços médios, com um facão numa atividade que achei arriscada para seres desastrados como eu, para alimentar os elefantes. Quando tudo estava pronto, lá fomos nós aprendendo o comando de “olha o aviãozinho” enquanto colocávamos cana de açúcar nas suas bocas (aprendizado importante e póstumo: não devemos colocar o alimento na boca do elefante, pois cremes, perfumes, repelentes fazem mal ao seu organismo. A comida deve ser dada pela tromba). Depois, fomos todos abraçados e beijados pelos elefantes (tem comando para isso também – e é de morrer de felicidade!).

Turismo consciente: passear com elefantes
Batendo um papo com os elefantes | Foto: Manu Pontual

Depois de uma hora por ali, era momento de deixa-los um pouco em paz e ir almoçar uma comida tailandesa incrivelmente bem preparada (acho que nunca comi tanto na vida) na base, para em seguida preparar um tipo de Activia para elefantes, feito de banana, tamarindo, cana de açúcar e sal. Um nojinho de fazer.

Saímos então para passear com eles pela trilha do campo e leva-los até o rio, onde demos banho neles, esfregando com um tipo de árvore que faz espuma quando em contato com a água. Foi mega divertido, especialmente quando os elefantes jogavam água nas nossas caras (também obedecendo a um comando, claro). Voltamos para o acampamento, demos o Activia para eles e era hora do pessoal do tour do dia se despedir – eu e o Rapha ficamos para dormir por lá e passar mais um dia com eles.

De repente nos encontramos numa fazenda isolada, sem internet, sem ninguém, com vista para um riacho e muito tempo até a próxima atividade. Depois de quatro dias que tivemos só trabalho em Chiang Mai, pensamos “que oportunidade! Vamos deitar nessas redes aqui e não fazer nada por horas!”. Ledo engano: logo depois do banho, acompanhamos uma engraçadíssima caça a grilos no jardim (eles iriam come-los à noite, mas não nos ofereceram) e em seguida fomos chamados para jantar (apesar de ser 16h e estarmos sem o menor apetite, tínhamos que comer pois não havia geladeira). Quando já estávamos terminando e pensando “agora vamos deitar nas redes e descansar por horas”, o gerente chegou e começou a bater papo. Depois mandou a gente andar pela beira do rio de onde poderíamos ver os outros campos, e lá fomos nós. Encontramos alguns elefantes adultos e enormes pelo caminho e sim, vimos elefantes sendo mal tratados. Esses adultos que encontramos estavam com as orelhas todas machucadas, mas não dá pra saber se é por maus tratos do campo ou se do local de onde ele foi resgatado. Também vimos os elefantes do Elephant Nature Park, uma opção bem recomendada em todos os lugares mas que, a essa hora, tinha trancado seus elefantes em espaços cercados pequenos. E vimos um outro campo, cujo nome eu infelizmente não sei qual é, jogar pedras nos elefantes, gritar, bater com pedaços de madeira, enfim. Bizarríssimo e revoltante.

Ao voltar para o Chang Thai, sentamos com o gerente e alguns dos funcionários e conversamos sobre o campo, os elefantes, tentamos tirar dúvidas e esclarecer algumas coisas, mas ele foi um pouco evasivo nas perguntas mais cabeludas.

No dia seguinte, o trabalho foi mais pesado – limpamos cocô de elefante, colhemos uns troncos de bananeira para alimentá-los, coletamos areia para preencher uns buracos lá. E, no meio disso tudo, levamos para passear e demos sozinhos banho em um dos elefantes – o que foi ainda mais mágico.

Mas, apesar de o Chang Thai estar indo na direção correta, eliminando o trekking e buscando um cuidado mais amoroso, ele ainda possui diversas falhas e não pode ser considerado uma alternativa. Não podemos apoiar projetos que cuidam pela metade. Ou tudo, ou nada. E, no caso dos elefantes, só a informação e uma mudança nas nossas demandas (seja de marfim para os africanos, ou de turismo, para os asiáticos) poderá salvá-los.

COMO MAIS EU POSSO AJUDAR? 

Apesar de ser um problema relativamente distante para nós, há diversas formas de ajudar os elefantes. A situação deles só poderá mudar com a difusão da informação e mudança de mentalidade e atitudes de todos nós. Veja aqui algumas formas pelas quais você pode ajudar e, abaixo, deixo alguns links para visitar com informações úteis e trabalho sério.

  • Não visite ou suporte qualquer lugar, muito menos na base do impulso. Faça pesquisas, converse, questione e se informe antes de apoiar qualquer iniciativa que lide com elefantes (e animais em geral). Normalmente, muito pode ser esclarecido dentro da sua própria consciência – por exemplo, um dia em Cingapura fomos convidados a tirar fotos com araras aparentemente superbem cuidadas da Floresta Amazônica. À primeira vista, não teria problema nenhum. Mas, pera. O que araras da Floresta Amazônica estão fazendo em Cingapura? Esse simples questionamento já nos alertou de que não era uma boa ideia. Ouvir a resposta do “cuidador” então, nos deu a certeza.
  • Nunca, em toda a sua existência e por qualquer motivo, ande em cima de elefantes. Essa prática começou lá nos primórdios da vida, quando consciência ambiental era um tema inexistente e outros meios de transporte de pessoas e cargas eram menos acessíveis. Andar em cima de elefantes apenas para se divertir é de uma crueldade sem tamanho (afinal, não é só você, são diversos outros turistas diariamente praticando a atividade nas costas do coitado). Além do que, não é nada divertido, se você quer saber. Eu infelizmente já apoiei essa atividade no meu passado obscuro de viajante desinformada, e da pior parte: andei em cima de cadeirinhas! É a coisa mais desconfortável e esquisita do mundo, o elefante não é lá um animal muito anatômico e muito menos de pele macia e gostosa, e no final das contas o contato com ele é quase nulo. Pra que, né?
  • Doe para centros de conservação e anti-caça furtiva e ajude organizações e pessoas que trabalham diariamente para conservar a espécie e mantê-la longe dos maus tratos e perigos da vida com humanos.
  • E que tal ter um elefante pra chamar de seu? Você pode! Não que você vá levar o elefante para casa e deixa-lo dormir na sua cama. Não é isso. Mas você pode adotar elefantes em zoológicos, centros de reabilitação e conservação, acompanhando o desenvolvimento do animal e garantindo a sua sobrevivência e felicidade de viver. Legal, né?
  • Boicote (ou apenas não financie) atividades de maus-tratos de elefantes (e quaisquer outros animais, vale dizer): fazer acrobacias, andar no trânsito de Phuket, fazer trilhas, ser estrela de circos, zoológicos que não lhes dão um habitat adequado – tudo isso faz mal, e muito mal, para os elefantes, que são condicionados a uma vida de sofrimento, depressão e dor. Eles não merecem!
  • Use seus talentos e redes para divulgar a causa. Sim, você pode fazer a diferença, mesmo que não esteja indo para a África ou Ásia. O número de turistas que querem desesperadamente encontrar um elefante é imenso. Apesar de isso ser parte da solução, é também parte do problema – pois turistas mal informados, como eu já fui, incentivam os maus tratos de elefantes. Escreva um texto, edite um vídeo, faça uma música, ou apenas compartilhe notícias. Conte para a sua rede o que é certo e o que é errado – eu acredito do fundo do meu coração que poucas pessoas apoiam maus tratos tendo a consciência disso. Então, se ajudarmos a informar mais gente, ajudaremos a salvar mais elefantes. É simples.
  • Seja um turista consciente. Como falei, o turismo pode ser parte da solução, por ser uma indústria que movimenta muito dinheiro, sendo capaz de financiar a recuperação e a conservação dos elefantes. Por isso, é importante sim participar das atividades, visitar centros, fazer voluntariado, como uma forma de apoio. Porém precisa ser um apoio consciente, bem informado, e com a certeza de que está fazendo da forma correta.
  • Apoie o World Elephant Day (dia internacional do elefante), que tem o objetivo de conscientizar a população sobre a situação dos elefantes por meio de diversos eventos e uma grande campanha nas redes sociais. Acontece todo 12 de agosto e você pode ficar por dentro nessa página do Facebook.
  • Não compre objetos de marfim, por mais incríveis que eles sejam. E assine a petição para proibir a venda de marfim no Brasil.

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Manu Pontual
Aquariana de corpo e alma, Manu é apaixonada por viagens. Fundou a Plot junto com o Rapha, e agora vive viajando - seja de verdade, fazendo roteiros para os nossos clientes, ou sonhando com os próximos destinos.

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