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Passeio de barco em Panglao, nas Filipinas: tem que fazer!

Nem todos os dias que passamos nos arredores de Alona, nas Filipinas, foram de sol. E mesmo os que foram, havia nuvens aqui e ali o tempo todo. Por causa disso, fomos adiando o passeio de barco em Panglao: queríamos um dia aberto, para aproveitar tudo que as paisagens e, principalmente, o mar, têm a oferecer. Mas esse dia nunca chegou, enquanto a hora de ir embora, sim, começou a ficar perto. Então marcamos com um barqueiro e começamos a torcida.

O passeio estava agendado para 6h da manhã, pois esse é o horário em que a costa de Panglao fica repleta de golfinhos. Como queríamos muito vê-los, caímos da cama cedinho, confiantes com relação ao tempo, mas logo que saímos veio a decepção: não é que estava fechado, é que não dava pra ver o céu, que consistia em uma grande massa cinzenta e sem graça, e muito menos o horizonte. Começamos o debate sobre fazer ou não o passeio de barco em Panglao naquele dia (que, às 6h da manhã, como você pode imaginar, não foi lá um debate muito fluido).

Era nosso penúltimo dia em Panglao – e nas Filipinas como um todo -, então decidimos que o melhor a fazer seria adiar para o próximo dia e aumentar o volume de pensamentos positivos, pesquisar rituais antichuva e coisas do gênero. Mas quando contamos esse plano para o barqueiro, que estava reservado só pra gente, ele disse que teríamos que pagar uma taxa de cancelamento de cerca de R$ 24 e que se decidíssemos mesmo fazer o passeio no dia seguinte, o custo seriam os mesmos 1.500 pessoas filipinos que valem R$ 120. Nada de abater um do outro.

Eu sei que R$ 24 podem parecer pouco, mas a nossa verba diária é tão baixa que isso representa mais de 15%. E ninguém quer perder 15% do seu dinheiro assim, por nada. Portanto, lá fomos nós para o passeio de barco por Panglao, sob o risco de passarmos mais medo do que diversão (quem já pegou chuvas no sudeste asiático sabe do que estou falando) ou mais frustração do que deslumbre com as paisagens (que são melhores quando o sol reflete a transparência do mar).

Mas no fim, nossa decisão não podia ter sido melhor e mais feliz: o dia não só abriu, como se transformou no mais bonito desde que chegamos a Panglao. Um céu azul que alguns diriam ser “de brigadeiro”, mas nunca entendi esse termo, portanto não uso. E tenho a desconfiança de que os golfinhos têm lá sua contribuição para isso, afinal são animais que dão sorte – pelo menos acreditamos nisso, desde que topamos com um pela primeira vez na viagem (e, confesso, também por influência do livro Dever de Capitão, que inspirou o filme Capitão Philips, em que ele conta que os dias em que encontrava com golfinhos pela manhã, costumavam ser dias bons).

OBSERVAÇÃO DE GOLFINHOS

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Olha quantos :) | Foto: Rapha Rotta

Esse era um dos principais atrativos do momento, mas sempre rola aquela dúvida: será que eles vão estar lá? Com animais é assim, não dá – pelo menos de formas legais e justas – pra garantir que eles estarão por ali. Mas, para nossa sorte e felicidade, estavam, aos montes, nadando e pulando de um lado pro outro. É lindo de ver, sério.

Mas aí tem uma parte nessa história que é bem ruim. Apesar de termos feito uma reserva só pra gente, todos os passeios de barco em Panglao, daqueles mais cheios que banco em dia de pagamento, estavam na área, com todas aquelas multidões paramentadas com seus coletes salva-vidas fosforescentes, gritando freneticamente a cada vez que os golfinhos apareciam. E a reação dos barqueiros, por sua vez, não podia ser pior: viravam o barco na direção dos golfinhos e dirigiam a toda velocidade, como se os estivessem caçando.

Tem uma parte nessa conduta que é bastante desinteligente, porque é claro que ao verem barcos e mais barcos vindo em sua direção, os golfinhos saem do caminho e afundam novamente. Nem precisa ser especialista pra saber disso – você não desviaria se estivesse andando na rua e visse que está sendo atacado por vários ônibus? E tirando a parte que isso dificultava bastante o objetivo do passeio de barco, que era observá-los, também não acho que seja legal para eles passar por esse tipo de stress, principalmente logo cedo. Ninguém merece.

Anotem aí o nome de duas empresas, as que estavam mais agressivas naquela manhã, pra que você não as contrate se for fazer o passeio de barco em Panglao: Palm Tours e Wonder Lagoon. Não queremos incentivar um tipo de turismo que não faz bem para os animais, certo? E se, como a gente, você contratar um barco só para o seu grupo, seu barqueiro provavelmente começará o dia fazendo a mesma coisa – como o nosso – mas esperamos que você peça para que ele pare com isso, ok? O nosso respeitou no primeiro pedido e não mais acelerou para cima dos golfinhos durante o passeio.

OUTRAS PARADAS DO PASSEIO DE BARCO EM PANGLAO

Havia mais duas paradas programadas no passeio de barco em Panglao: a primeira em uma ilha chamada Balicasag, que não dávamos muita coisa, pois teoricamente seria apenas uma área legal para fazer snorkel (e às vezes, confesso, temos preguiça de tanto que fazemos snorkel aqui na Ásia); e a segunda em outra ilha, a Virgin Island, que essa sim deixaram nossas expectativas lá em cima, por fotos que vimos na internet. E ai que, no fim das contas, nossas impressões foram inversas.

A Balicasag Island não é era “só um ponto de snorkel”, mas o lugar mais legal por onde praticamos a atividade aqui nas Filipinas. O tom de azul do mar é mais escuro do que o normal, mas também mais transparente, o que deixa a visibilidade incrível. E os corais por ali também são um espetáculo a parte, complementado por milhares e milhares de peixes de diversas espécies diferentes, inclusive o palhaço (aka Nemo), que estão aos monte na região, saindo de suas respectivas anemonemonemonas pra nadar. Demais!

De quebra, ainda tem os “penhascos submarinos” (alguém aí sabe o nome disso?) que vão a profundidades imensas e criam cenários de cair o queixo, com o sol refletindo no infinito da água.

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O “penhasco submarino” e o reflexo do sol | Foto: Manu Pontual

E além do snorkel, a ilha em si é de uma beleza impressionante, que não vou nem me dar ao trabalho de tentar explicar. Dá pra ver na foto lá em cima, nessa última e vou colocar mais uma aqui em baixo de bônus pra vocês:

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Um menor desacompanhado no paraíso | Foto: Rapha Rotta
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Mais uma de Balicasag porque vale o visual | Foto: Rapha Rotta
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E a gente aproveitando o paraíso pós-snorkel | Foto: Rapha Rotta

Depois de umas duas horas aproveitando esse paraíso, partimos para a Virgin Island, que mudou de nome e hoje se chama Isola de Francisco. Mas só fomos saber disso quando chegamos lá, no mesmo momento em que notamos a ambientação tema “Jesus Cristo”. Logo na entrada, há uma estátua enorme de Francisco e no interior diversas imagens de Jesus Crucificado, Maria, ovelhas, presépios e por aí vai. Tem também uma obra imensa, para a construção de uma igreja, bem ali, no meio do mar/nada.

O que acontece é o seguinte: a ilha é privada, embora a visita seja gratuita. E o proprietário, ao que parece, é bem religioso. Por nós, tudo certo, mas uma outra decisão que ele tomou não foi legal e não recomendamos, caso um dia você adquira uma ilha: ele cercou toda a parte terrestre com uma cerca pequena de madeira, o que não concordamos, mas poderíamos aceitar, desde que ele não tivesse feito o mesmo com o mar. Há uma delimitação de território marcada por boias de isopor, que estragam um pouco o que seria um visual de arrepiar de tão lindo – principalmente graças à faixa de areia que se estende por uma distância longa a partir da ilha. Uma pena!

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Alguém explica que não é pra cercar a ilha e colocar placas de identificação? | Foto: Rapha Rotta
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Cercas separando a areia do mar também não fazem sentido, pessoal | Foto: Manu Pontual
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Mas pelo menos o mar era bem bom e transparente | Foto: Rapha Rotta
Rapha Rotta
Sócio-fundador da Plot, namorado da Manu, libriano indeciso e a cada dia mais asfaltofóbico. É apaixonado pelo mundo desde que consegue se lembrar e não consegue se sentir tranquilo sem saber quando será a próxima viagem.

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