Conheça Phnom Penh, no Camboja

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Chegamos em Phnom Penh depois de aproximadamente 7 horas de ônibus por uma estrada bem acidentada e cheia de buzinas (é impressionante como os motoristas – especialmente os de ônibus – gostam de buzinar aqui na Ásia), mas linda, com campos de arroz que se estendiam por quilômetros a perder de vista, brilhando de tão verdes. Se você conseguir não dormir no trajeto (o que pra mim foi um pouco difícil), poderá testemunhar a vida cambojana do interior. A vida que a grande maioria da população leva, em suas casinhas simples de madeira ou bambu, na beira da estrada. A vida de viver do campo, quieta, calma, de observar o movimento da porta de casa, de deixar as crianças correndo livres pela estrada (o que deixa a gente maluco, querendo gritar “sai já daí, menino!”), de dormir uma família inteira em um colchão só. A vida distante do turismo. Para coroar o trajeto, assistimos a um pôr do sol de tirar o fôlego na estrada.

Ao chegar em Phnom Penh, nos instalamos no nosso hotel, o Angkor Mithona Guesthouse, e jantamos numa das inúmeras barraquinhas de rua ali da frente. Ficamos na região pertinho do rio e dos principais pontos turísticos, de onde poderíamos fazer tudo a pé, o que é uma mão na roda pra quem detesta tanto gastar dinheiro com transporte, como eu e o Rapha.

UMA VISÃO GERAL DE PHNOM PENH

Phnom Penh, no Camboja

Me encantei com os prédios da cidade! | Foto: Manu Pontual

Achei a cidade muito agradável, apesar de caótica (leia-se: motos buzinando enlouquecidamente por todos os lados e uma desesperadora ausência de calçadas), e passamos o primeiro dia passeando pela região. Andamos pela rua das artes (que deixou um pouco a desejar, confesso), pelo Palácio Real (Royal Palace), que tem duas belas pagodas prateadas (porém estava fechado e não entramos), mas ficamos encantados com a pracinha ali na frente que é superbonitinha e estava fechada para carros, com muitas famílias locais e suas crianças brincando com balões de ar e comendo pipoca. Uma típica cena de cidade de interior que destoa do caos que é Phnom Penh, uma cidade grande e bem desenvolvida para os padrões locais. Dali fomos para o calçadão do rio Tonle Sap, ainda mais agradável, onde turistas e locais dividem o espaço com harmonia. Acho que isso foi o que eu mais gostei de Phnom Penh: o contato com os moradores dali, o fato de que não tem um espaço só para turistas, que todos estão juntos curtindo a cidade da mesma forma.

Phnom Penh, no Camboja

O Palácio Real de Phnom Penh | Foto: Manu Pontual

Phnom Penh, no Camboja

A charmosa praça em frente ao Palácio Real, fechada para carros | Foto: Manu Pontual

Em seguida, demos uma passadinha no Wat Botum, um parque/praça lindinho ótimo para um passeio descompromissado, onde fica um memorial às pessoas mortas em um ataque em 1997, e o Monumento à Amizade entre o Camboja e o Vietnã, que comemora o fim do Khmer Rouge, em 1979 – o Vietnã teve um papel primordial para o fim do período, pois se opôs ao regime ativamente no país.

Phnom Penh, no Camboja

A praça do Wat Botum, e o memorial às pessoas mortas no atentado de 1997 | Foto: Manu Pontual

No calçadão do rio as atividades são inúmeras. Encontramos gente praticando lamba-aeróbica (!), jogando peteca, fazendo beat box, conversando num banquinho, cantando e, claro, vendendo de tudo o que você pode imaginar. À noite a iluminação deixa tudo ainda mais charmoso e agradável.

Phnom Penh, no Camboja

O cair da noite no calçadão do rio Tonle Sap: onde todos se encontram | Foto: Manu Pontual

VISITANDO OS TEMPLOS

No dia seguinte, resolvemos explorar os templos – nada muito grandioso, mas ainda assim não menos interessante.

Começamos pelo Wat Ounalom, que ficava bem em frente ao hotel. O templo em si não é nada demais, mas o que gostei dali foi justamente entrar pela rua de trás e atravessar uma pequena vila de monges, que passeavam, conversavam, faziam compras. Também adoro ver os trajes dos monges pendurados em varais do lado de fora das casas – acho lindo!

Phnom Penh, no Camboja

Wat Ounalom | Foto: Manu Pontual

Phnom Penh, no Camboja

Os monges na vila do Wat Ounalom | Foto: Manu Pontual

Para o fim do dia, fomos no templo Wat Phnom, que fica num pequeno monte construído artificialmente para proteger o templo, no centro de Phnom Penh. Planejamos este para o fim do dia porque acreditamos na nossa própria invenção que dizia que, se o templo fica em cima de uma montanha, ele tem uma vista legal do pôr do sol. Nossa invenção estava errada, porque a montanha é bem da pititica. Para entrar no templo é preciso pagar U$ 1, e a história conta que o templo foi construído por uma mulher, a Miss Penh, que encontrou quatro Budas de bronze em um tronco de uma árvore Koki às margens do Tonle Sap e, assim como aparentemente todo mundo na Ásia que encontra uma imagem de Buda, resolveu que era preciso construir um templo para ele. O templo é pequeno, mas lindo, com telas superinteressantes da história do Buda. Ainda hoje, esse templo é muito reverenciado pelos cambojanos, que o frequentam para pedir boa sorte.

Phnom Penh, no Camboja

Wat Phnom – e a Miss Penh, no canto direito da foto | Foto: Manu Pontual

Phnom Penh, no Camboja

Os murais e detalhes do Wat Phnom | Foto: Manu Pontual

Uma coisa que nos entristeceu lá foram os passarinhos que o pessoal prende em gaiolas superlotadas, apenas para que você, turista, pague uma quantia para libertá-lo. A loucura da loucura.

Atrás do templo tem uma pracinha que é megafofa e, apesar de não ter uma vista muito legal do pôr do sol, ficou lindamente iluminada nesse horário.

Phnom Penh, no Camboja

Não teve por do sol, mas teve esse espetáculo de luzes | Foto: Manu Pontual

Aliás, precisamos falar do pôr do sol. Mesmo com o tempo chuvoso nessa época, o sol se põe lindamente em Phnom Penh, uma bola de fogo de impressionar para quem está em uma cidade grande. Não conseguimos vê-lo do alto, mas se você puder, eu recomendo fortemente. Aqui vão algumas ideias: Le Moon K-West, Blue Dragon e Chow.

O LEGADO DO GENOCÍDIO

Eu acredito que quem vem para o Camboja jamais deveria deixar de se aprofundar na história do genocídio, conhecido como o período do Khmer Rouge. Sim, é importante conhecer o Angkor Wat: é lindo, é mágico, é impressionante. Mas não é tudo: o que melhor explica e faz entender a vida no Camboja hoje em dia é o período do genocídio. Para isso, além de, com delicadeza, conversar com quem se abrir para isso (o Khmer Rouge durou de 1975 a 1979, ou seja, seu fim foi há menos de 40 anos e grande parte da população é testemunha dele), você deve visitar o Killing Fields, um dos campos de execução dos considerados inimigos do partido, e o Tuol Sleng Genocide Museum, a escola que virou prisão sob o poder do Khmer Rouge. Mais reflexões sobre isso virão num próximo post.

Ambos têm entrada paga (U$ 6 para o Killing Fields e U$ 3 para o Tuol Sleng), e dá pra cobrir os dois em um mesmo dia, porém comece cedo se quiser ler e entender tudo com calma, e vá preparado, pois será um dia bem carregado de emoção – a história é triste, cruel, muito bem relatada e recente. Pagamos ainda U$ 15 para o tuk tuk nos acompanhar o dia inteiro nesses passeios, e fechar o dia com um delicioso sorvete para acalentar as mágoas, no Mercado Russo, na recomendada sorveteria The Snacker.

 

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Sobre o autor

Manu Pontual

Sócia-fundadora da Plot, Manu é aquariana de corpo e alma. Apaixonada por viagens e por mudanças, largou tudo que tinha de fixo na vida para morar na Ásia, na busca por um modelo de vida e trabalho que tenham mais a ver com a sua essência.