Um fim de semana em Jericoacoara

0

Ir para Jericoacoara sempre foi um sonho, mas que por algum motivo eu não realizava. Até que, no dia dos namorados do ano passado, o Rapha me deu de presente uma viagem para Jeri, e como bônus ele ainda negociou uns dias de folga do trabalho com a minha chefe para emendarmos no fim de semana – e acabamos conseguindo ficar 4 dias inteiros em Jeri. Não poderia ser mais perfeito!

Como não gostamos de viajar na correria, e na verdade prezamos bastante por um pouco de ócio e preguicê, não vimos tudo o que poderia ser visto em 4 dias – selecionamos o que mais nos atraiu e deixamos outras coisas para uma próxima visita. Acabou que ficamos com um roteiro bem legal para um fim de semana em Jericoacoara. Olha só:

A viagem já começou animada, pegando estrada de Fortaleza até Jeri às 3h da manhã com o Juliano*, um motorista pra lá de simpático, com quem já tínhamos inclusive encomendado a compra de algumas caixas de cerveja em uma cidade mais barata, ali perto, pra levarmos pra praia (viajar barato é pura farofa!).

CHEGANDO EM JERICOACOARA: DESACELERAR NA PRAIA

Chegamos no nosso hotel de manhãzinha, e por isso nosso quarto ainda não estava pronto. A solução, então: vamos pra praia! Deixamos nossas malas na recepção do hotel, trocamos de roupa, tomamos um café da manhã reforçado e partimos. Nosso objetivo era caminhar pela praia inteira e ir até a outra ponta, mas sentamos em uma cadeirinha e em frente a ela tinha uma barraquinha que vendia caipirosca de frutas a preço de banana. Vou ter que confessar que negociamos um desconto no volume e acabamos precisando ficar lá mesmo para honrar nosso desconto!

Um fim de semana em Jericoacoara

Uma barraquinha para chamar de nossa | Foto: Manu Pontual

Mas, com caipirosca ou sem caipirosca, eu recomendo que você faça o mesmo. Passar o primeiro dia da sua viagem assim, jogadão na praia de papo pro ar, permite absorver a tranquilidade, o clima, a paz e a sensação de estar de férias (mesmo que curtinhas). Funciona mais ou menos como um ajuste de ponteiros: desacelerar da loucura das cidades grandes para aproveitar melhor a energia de Jeri. Vale à pena.

Além disso, nosso primeiro dia na praia também não foi de todo inútil: aproveitamos que estávamos ali sentados sem fazer nada para conversar e negociar com todos os buggeiros que passavam pela gente. Por causa das diversas dunas e praias de Jeri, um buggy é item essencial para fazer passeios pela região, e nós queríamos pagar pouco num buggy que fosse só nosso – economiza na bebida ali, gasta no buggy aqui. A vida de viajar barato é construída à base de escolhas.

CONHECENDO AS LAGOAS DE JERI

Conseguimos reservar o passeio de buggy pelas lagoas de Jeri com um cara super gente boa, que topou sair da ordem comum das coisas com a gente. Pagamos R$160 no buggy para 2 pessoas o dia inteiro (preço de 2014).

Um fim de semana em Jericoacoara

Praia do Preá | Foto: Rapha Rotta

Depois de atravessar as dunas da entrada de Jeri, chegamos na Praia do Preá, lindíssima, que abriga a famosa Árvore da Preguiça: por causa do vento forte e constante, a árvore cresceu na horizontal, então parece que ela está deitada meio preguiçosa, sem vontade de ficar de pé. Muito legal!

Um fim de semana em Jericoacoara

A Árvore da Preguiça | Foto: Manu Pontual

São duas as principais (e mais famosas) lagoas da região de Jeri: a Lagoa do Paraíso e a Lagoa Azul. Os passeios normalmente passam antes pela Lagoa do Paraíso, mas como tínhamos lido que ela era a melhor, seguimos a regra de deixar o melhor para o final e fomos para a Lagoa Azul. Já de cara, nos encantamos. Foi engraçado, inclusive, porque os locais e os buggueiros por ali nos falaram que ela estava seca demais e não estava tão legal. Eu honestamente não sei o que significa legal na língua deles, porque na minha a Lagoa Azul tava legalzona. Primeiro, tinha gente mas não estava superpopulado – isso ocorre por causa da Lagoa do Paraíso ser mais famosa e atrair mais visitantes. Segundo, que tinha um bar/restaurante na beira da lagoa, com preços justos, que nada mais do que deixava as mesas na beiradinha da lagoa – então, enquanto estávamos sentados, nossos pés estavam na água. Por fim, a lagoa tinha uma ótima profundidade pra nadar ou ficar parado conversando e tomando um chopp. Apesar de termos combinado dar só uma passada ali para ir para a Lagoa do Paraíso, não conseguimos sair tão cedo de lá e acabamos ficando para o almoço: uma lagosta grelhada maravilhosa, com arroz, feijão e fritas (ai morri aqui escrevendo isso).

Um fim de semana em Jericoacoara

O Rapha de boas curtindo a Lagoa Azul | Foto: Manu Pontual

Um fim de semana em Jericoacoara

O cenário do nosso almoço | Foto: Manu Pontual

Depois do almoço decidimos que era hora de partir para a próxima, e fomos até a tão aguardada Lagoa do Paraíso – e nos decepcionamos um pouquinho. Quer dizer, a Lagoa do Paraíso é linda, não dá pra negar. Mas foi uma queda de padrão imensa comparado à Lagoa Azul, apenas porque a areia fica longe do mar – entende o que estou dizendo? Lembrava mais uma praia extensa do que uma lagoa, e acabamos não nos sentindo tão confortáveis – até porque, conforme o previsto, havia muito mais gente por lá. Então, depois de alguns minutos, resolvemos voltar para a Lagoa Azul e ficar por lá o tanto quanto podíamos.

Um fim de semana em Jericoacoara

A Lagoa Paraíso, que não nos encantou tanto assim | Foto: Manu Pontual

O ponto final do nosso passeio era a Pedra Furada, que fica entre  Praia do Preá e a Praia de Jeri. Estávamos lá bem na época em que o sol se põe no meio da pedra, fenômeno que acontece sempre de 15 de julho a 15 de agosto, e queríamos ver isso de pertinho. O pôr do sol ali foi um super espetáculo, mas tinha tanta gente que acabamos não conseguindo ficar na frente da pedra até o fim – acabamos encontrando um espaço na praia e nos acomodamos ali.

Um fim de semana em Jericoacoara

O cenário que encontramos chegando na Pedra Furada | Foto: Manu Pontual

Um fim de semana em Jericoacoara

O pôr do sol que vimos do nosso cantinho na praia | Foto: Manu Pontual

Como normalmente a visita à Pedra Furada é no começo do passeio, nosso buggueiro não poderia ficar nos esperando até o sol se pôr, então decidimos seguir à pé mesmo até Jeri. Só que a gente se perdeu, por muito tempo. Depois do pôr do sol todo mundo começa a sair por diversos caminhos, e claro que a gente não sabia que por que caminho ir – e conseguimos a proeza de só seguir pessoas que estavam indo pelo caminho errado, com tantas dúvidas quanto a gente. Hoje eu sei que dava para ter voltado até a praia de Jeri pela beira-mar, mas na época achávamos que era preciso subir o Morro do Serrote para isso – e escolhemos subir por uma duna de areia que era praticamente na vertical, e foi a subida mais difícil da minha existência, não entendo como sobrevivi!

Quando chegamos lá em cima, continuávamos perdidos e fomos caminhando por algumas direções, até que vimos outras pessoas (bem distantes, mas vimos) e resolvemos seguir mais ou menos o mesmo caminho (digo mais ou menos porque não foi possível, eles rapidamente sumiram de vista). Sem sinal de celular, sem noção da vida, sem nada, fomos seguindo na intuição – e acabou dando certo! Chegamos em Jeri. Por volta de 3h30 depois!

ESPETÁCULO NA DUNA DO PÔR DO SOL

Um fim de semana em Jericoacoara

O pôr do sol na Duna do Pôr do Sol | Foto: Rapha Rotta

Uma ida a Jericoacoara não está completa sem ver o pôr do sol na Duna do Pôr do Sol. Por isso, reservamos um cair de tarde por lá. Esse pôr do sol é tão icônico pois é um dos poucos lugares no Brasil em que o sol se põe no mar, já que nossa costa é quase toda virada para o oeste. E merece mesmo todos os aplausos que ganha diariamente – é espetacular, e ver as pessoas (turistas e locais) se divertindo com as dunas, pulando, escorregando e tirando fotos só acrescenta à experiência.

Um fim de semana em Jericoacoara

Um pôr do sol na Duna do Por do Sol é obrigatório | Foto: Rapha Rotta

Ah, vale dizer que até tinha bastante gente lá em cima, mas a duna é grande e comportou todo mundo super bem. Imagino que em épocas mais concorridas a situação possa ser um pouquinho diferente.

Um fim de semana em Jericoacoara

Um vendaval por ali | Foto: Rapha Rotta

#dicaplot apenas não espere ficar lá sentadinho tranquilamente no clima de romance, pois o vento ali é forte e levanta areia agressivamente. Eu recomendo, inclusive (sou sensível a areia me pinicando), levar uma canga para se proteger das rajadas.

JÁ SAÍMOS COM SAUDADES

Especialmente da Lagoa Azul. Acho que se tornou um dos meus lugares favoritos no mundo, pela junção entre conforto, beleza, tranquilidade e agradabilidade. Por isso, no nosso último dia, entramos na nóia de que queríamos voltar na Lagoa Azul, mas não queríamos pagar aqueles R$160 de novo, pois não precisávamos de um tour, apenas de um transporte que nos levasse até lá e nos trouxesse de volta. Poderia ate ser compartilhado. Poderia até ser um “ônibus” local (não pense que não tentamos). Só que tudo isso só estava disponível pra ir para a Lagoa do Paraíso, já que não há demanda de ida só até a Lagoa Azul. Então decidimos ficar na praia de Jeri mesmo e tomar muita caipirinha pra esquecer. 

Mas, até hoje, lembro com muito carinho dessa viagem. Jeri é um lugar incrível, com uma energia maravilhosa e cheio de pontos de interesse muito legais pra gente conhecer. Só vimos um pouquinho dessa maravilhosidade toda, mas veja bem: até hoje minha imagem de tela do celular é da Lagoa Azul. Isso significa muito.

FICA PARA A PRÓXIMA

Alguns passeios ficaram para a próxima, inclusive uma esticadinha de leve nos Lençóis Maranhenses, um dos meus maiores desejos de viagem da vida. Ali em Jeri, deixo na wishlist o passeio de buggy para Tatajuba, que promete cenários bem diferentes do que vimos nessa primeira passagem.

Inclusive, queremos saber: você já foi pra Jericoacoara? Do que mais gostou? Conta pra gente, queremos incrementar nosso roteiro na próxima passagem por lá!

*Juliano, traslados em Jeri

+55 85 9766-2597

Facebook: Juliano Silva

O que achou? Conta aqui pra gente :)

Compartilhe:

Sobre o autor

Manu Pontual

Sócia-fundadora da Plot, Manu é aquariana de corpo e alma. Apaixonada por viagens e por mudanças, largou tudo que tinha de fixo na vida para morar na Ásia, na busca por um modelo de vida e trabalho que tenham mais a ver com a sua essência.