Um pequeno-grande giro pela Toscana

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A última (e até então única) vez que fui para Florença eu perdi minha carteira. Com tudo. Dinheiro, cartões, documento. Logo, quando decidido que a Toscana seria o próximo destino nessa lenta expedição de morista expatriado (morador + turista), foi difícil resistir à imagem de encontrar minha carteira semi soterrada em algum canteiro. Como uma relíquia esquecida pelo tempo, que o vento sopra a areia até revelar a pontinha do sarcófago perdido do Faraó.

Mas logo da janela do trem pela Florença, a primeira coisa que encontrei foi uma ideia. A Toscana merecia um filtro só dela. Um botãozinho no Instagram, ali entre o “Lo-Fi” e o “Kelvin”. Seria um filtro meio alaranjado, com um toque de vermelho. Existe algo no céu daquele lugar que é diferente, especial. Ou ele é o mesmo céu de sempre, e o desnorteio provocado pelo tabefe de história e cultura que você leva ao andar por lá te faça sugerir novos filtros de Instagram.

Nem mesmo a incontável horda de turistas com chapéu cata-ovo e câmeras de lentes avantajadas chega perto de arranhar o charme de uma cidade que deixa bem claro por que foi tão mencionada nas suas aulas de história. Vale a pena se deixar perder pela cidade, só tomando cuidando para não acabar seguindo a bandeirola de algum guia turístico. Eles estão por toda parte e agora usam um microfone de atendente de telemarketing. Realmente, os tempos de gritar para explicar a beleza do Domo de Florença, com seu incrível mármore verde e listrado de branco, se acabaram.

De Florença em um trem de 45 minutos você está em Pisa. Sim, é um clichê. Sim, as milhares de pessoas fazendo a clássica pose “segurando” a torre dão a impressão de uma enorme macarena mal coreografada estar acontecendo. E sim, vale muito a visita. A torre é linda e bem mais torta do que eu imaginava. Além disso, todo o seu entorno – a basílica e o batistério – compõe um belíssimo trio. E ajudam a entortar ainda mais a torre.

Torre de Pisa, na Toscana

Torre de Pisa dando um “photobomb” na Basílica | Foto: Fábio Lattes

Mas é em outro trem de mais ou menos 50 minutos que veio a grata surpresa dessa curta viagem pela Toscana. A bela cidade de Lucca. Medieval, ela é inteira murada. Claro que ela hoje se estende além do muro, mas dentro dele, está uma pérola de puro charme urbanístico. Limpa, bem cuidada e cheia de restaurantes e lojinhas bacanas, ela merece no mínimo uma tarde do seu dia. Plana, os vários pontos de aluguel de bicicleta deixam o #ficadica para você também pegar a sua.

Lucca, na Toscana

Lucca e sua incrível muralha | Foto: Fábio Lattes

Apesar de curta, essa pequena viagem de 3 dias pela Toscana se mostrou enorme. Enorme pela quantidade de incontáveis de lugares que ainda falta ver. Mas principalmente, pela vontade de voltar.

De bicicleta em Lucca, na Toscana

Este que vos escreve pedalando. Mãe, deixei para teclar o texto só em casa, fique tranquila ;) | Foto: Fábio Lattes

Espero que minha carteira continue soterrada por muitos anos. Com dor no coração, vou precisar procurá-la mais vezes.

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Sobre o autor

Fábio Lattes

Um franco-campineiro se aventurando nesse mundão em cima de um teclado. Autor da coluna Ciao!, onde conta sobre suas experiências em Turim, na Itália.