Viajando sozinha pela Índia

0
A coluna “Eu vou sozinha” está aqui para quebrar o tabu e inspirar as mulheres a saírem por esse mundo sozinhas – seja para desbravar, para se conhecer, para sair da zona de conforto ou só porque não conseguiu uma companhia para as férias. Vamos entrar na corrente por um mundo mais aberto e respeitador em que todas nós possamos transitar sem esquentar a cabeça! Essa semana, conheça a experiência da Fernanda, que se aventurou pela Índia:

Acho que não teve uma pessoa pra quem eu tenha contado que iria pra Índia e que não tenha expressado um pouco de preocupação… Quando eu decidi viajar, não sabia exatamente pra onde eu iria, em quantos continentes ia dar tempo de passar, quanto tempo iria ficar em cada lugar… Não tinha muita coisa programada, afinal. Eu comprei as grandes passagens, intercontinentais – tipo saída do Brasil, depois ida pra Europa, depois volta da Europa pro Brasil. E foi só. Mas entre tantas dúvidas, eu tinha uma certeza: queria conhecer a Índia. Queria sentir os cheiros, degustar os sabores, apreciar aquelas cores magníficas.

Opa, mas pera lá, eu ia viajar sozinha e sabe como é, a Índia não é lá reconhecida internacionalmente pelo respeito às mulheres – muito pelo contrário. E agora, como faz? Tenta arrumar alguém que tope dividir pelo menos essa parte da aventura comigo. Amigas, vamos? Nada. Grupos de mochileiras, quem topa? Nada. E aí? Vai. Prende a respiração, esconde o medo, e vai. Respira fundo, e vai. Acredita que vai dar tudo certo, e vai. Para de ficar pensando no pior, pensa no positivo, e vai. Pesquisa também, é claro, que ninguém é trouxa. Então tá, nada de usar camisetinha com ombros de fora, pernocas descobertas muito menos, transparência e decote nem pensar – não importa a temperatura que estiver, se cubra. Evite andar sozinha à noite – nem precisa ser tardão, depois de escurecer já é mais perigoso. Nada de beber qualquer coisa que te ofereçam, compra suas bebidas e cuida delas. Na verdade, evita ficar bebendo. Se perceber qualquer olhar mais estranho, entra numa loja, fale com outras mulheres. Nada de hostel com quarto misto, como fiquei na Europa – na Índia só fiquei em lugares que tinham a opção de quartos só para mulheres. Nada de dar trela pra homens desconhecidos na rua.

E foi assim que eu fui. Com informação, claro. Mas com a certeza de que eu viveria dias mágicos nesse país. E vivi mesmo. A Índia é um país que joga por água abaixo tudo que a gente acredita. A cada dia, pra cada lado que você olha, a cada experiência que você passa – você vai se desfazendo das suas certezas e se abrindo pra beleza do diferente, do desconhecido. No primeiro momento você pode até achar que é um caos. Parece caos mesmo, é umimpacto grande demais, todos os paradigmas sendo postos a prova. Mas quando a gente aprende a aceitar o fluxo e relaxa, vai percebendo a beleza de tudo – da fé, dos padrões de higiene, do respeito, da bagunça organizada, dasegurança. E aos pouquinhos vai se permitindo um pouco mais. Eu até fui num barzinho com um Indiano que conheci – mas eu já vinha me correspondendo com ele há algum tempo por um site, porque ele tinha pedido dicas do lugar onde eu estava anteriormente. Me pareceu uma pessoa do bem, e aí eu topei encontrar com ele. Foi tudo bem, ele era um querido com quem tenho contato até hoje. Corri risco? Sim, corri, porque ele podia ser um maluco.Mas também foi o que eu falei – eu acreditei que ia dar tudo certo, e segui bastante minha intuição – ok, confesso que as recomendações positivas que ele tinha também me deixaram mais tranquila.

Mas eu me respeitei, sempre, não me forcei a nada. Lembro que teve um dia em Nova Delhi que eu queria ir ao Red Fort, um importante ponto turístico. Mas eu não queria gastar rios de dinheiro andando de Tuctuc, então fui de metrô – olhei certinho nos mapas o que deveria fazer, e fui. Saí na estação, andei 100 metros, dei meia volta e quando vi já estava de novo no Hostel. O que aconteceu? A saída do metrô era no meio de um centro super comercial, com muita gente vendendo tudo que era possível, muito pedinte, um cheiro forte, muita sujeira, daí eu surtei, tive uma crisezinha de pânico. E tudo bem. No fundo eu fiquei feliz de ter me ouvido, ter respeitado meu limite e simplesmente voltado pra onde eu me sentia segura naquele momento. No dia seguinte, fui a outros lugares, conheci outras coisas, mas o Red Fort acabei deixando pra lá.

Essa foi uma grande lição que tirei de tudo isso. Viajar sozinha é respeitar o lugar, a cultura, mas também respeitar asi mesmo. Temos um tempo de adaptação, de assimilação, e tudo bem se de vez em quando a gente quiser simplesmente ficar quietinha. Faz parte. Não pode se forçar a estar disposta o tempo todo, todo dia. Principalmente quando estamos num lugar tão diferente, tipo a Índia. Mas vale pra esquina da nossa casa também. Afinal, ouvir e respeitar os nossos limites é bom, seja aqui, ali ou em qualquer lugar do mundo.

O que achou? Conta aqui pra gente :)

Compartilhe:

Sobre o autor

Plot

Consultoria de planejamento de viagens - para saber mais sobre nossos serviços, clique aqui. Navegue pelo nosso site para acompanhar nossa Expedição pelo sudeste asiático, se inspirar com histórias e dicas de viagem e acompanhar as colunas de nossos correspondentes mundo afora.