Viajar é o melhor remédio

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A coluna “Eu vou sozinha” está aqui para quebrar o tabu e inspirar  mulheres a viajarem sozinhas – seja para desbravar, para sair da zona de conforto ou só porque não conseguiram, ou não querem, uma companhia para as férias. Vamos entrar na corrente por um mundo mais aberto e seguro em que todas nós possamos transitar sem esquentar a cabeça! Essa semana, leia a experiência da Marina:

Algumas semanas atrás eu escolhi fazer algo inédito – viajar sozinha!

Assim que minhas férias foram aprovadas eu comprei passagens para a Bahia, Salvador a princípio, não seria esse meu destino final, mas seria essa a primeira vez que viajaria sozinha. Eu até procurei companhia, chamei uma pessoa aqui, outra ali, mas nessa vida já vivi suficiente para saber que quem espera muito dos outros nada faz!

Escolhi um destino totalmente desconhecido. Decisão consumada, passagens compradas e ninguém para compartilhar o turbilhão de sentimentos que assombram qualquer primeira vez, medo, ansiedade, insegurança, dúvidas. Ai meu Deus, e agora? O que foi que eu fiz? Bateu aquela vontade de desistir, será que é loucura? Era hora de acalmar os nervos nos livros, nos contos que eu tanto amo, e por coincidência dessa vida, ou não, quatro dias antes de partir, assisti a palestra de um cara que eu sou muito fã, um filósofo e artista das palavras. Esse cara não sabia que eu estava lá e tampouco da bagunça que eu me encontrava, mas me disse para sair do óbvio. Eis que a luz se acendeu, naquele momento eu espantei os medos e foquei no pensamento “estou indo para um lugar não óbvio de maneira menos óbvia ainda” – e naquele momento abri totalmente meu coração para viver a melhor experiência da minha vida!

Dia 5 de Julho, ainda meio sonolenta peguei o avião em Guarulhos às 7h45. Muitas horas, ônibus e barcos depois, cheguei a Morro de São Paulo, uma ilha a muitos quilômetros de Salvador, onde não tem carro, trânsito, poluição ou caos, e tem muita gentileza, alegria e paisagens maravilhosas. Fui recepcionada naquela tarde por chuva e frio, mas também por uma paulistana gente boníssima que estava no mesmo quarto que eu no hostel, e que, gentilmente também compartilhou sua já enturmada “galera”. Aspas porque, para meu espanto, todos ali estavam, em teoria, sozinhos como eu, porque na prática ficar sozinho é algo que não acontece, a não ser que você queira. Essa primeira noite foi suficiente para me mostrar quão certa foi minha decisão, em poucas horas estava com pessoas incríveis que em poucas palavras trocadas se tornaram inesquecíveis, pois além de me permitirem acrescentar algo em suas vidas, acrescentaram e muito na minha.

Morro de SP é um lugar lindo, paradisíaco, mas além dos mais lindos e estupefantes pores-do-sol seguidos por pulos de golfinhos (de chorar) no mar, Morro foi palco da minha redescoberta!

Foi preciso ir longe e sozinha para encontrar minha forte capacidade de fazer novas amizades. Morro me intimidou ao me colocar num grupo de estrangeiros de todos os cantos do mundo, sendo eu a única brasileira. Não, eu não fiquei calada! Falamos de vodka polonesa, festas americanas, economia italiana, separação do Reino Unido da União Europeia, séries americanas, salário mínimo brasileiro, enfim, eu me surpreendi com a minha capacidade e com a minha juventude! Morro me ajudou a sair de trás do muro que eu estava me escondendo, me mostrou que eu tenho o mundo a meus pés, que eu sou nova, inteligente, gente boa e melhor de tudo, a Bahia me devolveu a liberdade e minha autoconfiança, e eu sou grata ao universo por isso!

Eu tive medo, mas não quero mais tê-lo, esse sentimento pode nos impedir de sair do óbvio, e nós temos que sair do óbvio! Temos que conhecer pessoas novas, lugares lindos, culturas, comidas, músicas, afinal é disso que é feito um ser humano, momentos e histórias. Morro foi tão gente boa comigo, que além de tudo que eu já listei, me deu amigos, sim AMIGOS, de quem eu chorei ao me despedir, com quem compartilhei histórias, descobertas (comi ostra, acarajé, moqueca e saltei de uma tirolesa de 72m) e divertidíssimas histórias. Histórias que rendem novos textos.

Sabe outra coisa? Sempre gostei de escrever sobre a vida, e há muito não fazia isso. Pois é, olha eu aqui escrevendo, perdendo o medo de como vão julgar minha gramática ou meu vocabulário. Cansei de ter medo, graças a uma viagem de sete dias a uma ilha paradisíaca. Tudo graças a uma atitude!

Se você está lendo esse texto, e principalmente se você for uma mulher, estufa esse peito, ergue essa cabeça e trace um plano mirabolante, a gente pode tudo e a gente merece tudo. Não espera muito tempo para colocar seus planos em prática e não dê ouvidos às críticas, se alguém te chamar de louca, agradeça! Agarra essa loucura com paixão e se joga! Como eu mesma costumo dizer, a vida é curta, o mundo é grande e está cheio de pessoas por aí como nós, boas e cheias de vida para compartilhar!

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Sobre o autor

Marina Ordine

Do interior de São Paulo me apaixonei pelo mundo. Sou formada em turismo, sou atriz, bailarina, amante das artes e não tenho parada. Minha cabeça está sempre trabalhando, lendo, escrevendo e planejando a próxima aventura. Ah, sou canceriana de corpo, alma e coração, gosto de extremos, vivo à flor da pele!