Na sede de viajar, ela foi sozinha – e amou

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Eu sempre tive muita “sede” em viajar e nunca tive a dúvida de ir caso não tivesse companhia. A primeira vez que fui viajar sozinha foi quando fiz intercâmbio para Vancouver em 2009 e tinha o sonho de conhecer Nova Iorque. Fiz uma escala e lá fiquei três dias. Mal falava o inglês, mas nada me impediu de conhecer a cidade. Fui na cara e na coragem, e claro que por ser mulher e nova tive casos de taxista que cobrou a mais por me ajudar a levar as malas ou que deu uma volta maior e disse que o hostel que ficaria era longe. Mas nada que me impedisse de seguir meu sonho adiante.

Viajar sozinha Nova York

No memorial ao John Lennon, em sua primeira viagem sozinha | Foto: Arquivo Pessoal

Viajar sozinha Nova York

Feliz da vida em NY! | Foto: Arquivo Pessoal

Conheci a cidade, passeei sozinha, fui a museus e foi incrível apesar de ser pouco tempo. Fiquei em hostel e acabei conhecendo um grupo de brasileiros com quem sai e fomos tomar um chope à noite. Segui minha viagem pra Vancouver onde passei cinco meses e também foi incrível. Senti mais prazer e vontade de viajar cada vez mais.

Anos depois, já no Brasil, tirei férias do trabalho e resolvi ir pra Buenos Aires, onde também cai em cilada de taxista. Aliás, cuidado com isso meninas: vejam o caminho do aeroporto até o hotel, melhor ainda se ligar o waze quando estiver no taxi. É bom mostrar para o taxista que conhece o lugar. Lá eu fiquei em um hostel, no começo estava meio tímida porque não sabia com quem falar e o que fazer, pois gostaria também de curtir a noite. Fui no bar do hostel (morrendo de vergonha), sentei no balcão e pedi uma cerveja, nisso já sentou uma menina que também estava sozinha e começamos a beber juntas e assim criei uma amizade que tenho até hoje.

Depois dessa, fiz outras viagens sozinha e nunca deixei de viajar por falta de companhia. Nossa melhor companhia somos nós mesmos, na viagem você entra em contato com si mesma e acaba se conhecendo mais. Você conhece muito mais gente do que talvez conhecesse se estivesse em grupo de amigos. Nunca tive dificuldade ou encarei algum tipo de preconceito por ser mulher e estar sozinha. O fato de ser mulher até facilitou em algumas situações, pois tem gente que se prontifica em te ajudar. Claro que existem perigos. Sempre que andar sozinha à noite tenha certa cautela porque muitos tentam tirar vantagem e se fingir de “bom moço”.

Viajar sozinha Chicago

No gelo de Chicago | Foto: Arquivo Pessoal

Em 2013 fui morar em Montreal, trabalhando como au pair. Viajei muito pelo Canadá e também fui de ônibus até Chicago (22 horas com o pé na estrada). Como estava sozinha, em uma parada um moço sério sentou ao meu lado e fez algumas perguntas estranhas, disse que queria me acompanhar até o destino final. Fingi que não entendia muito a língua, fui ao banheiro e sentei em outra cadeira. Tem momentos que você fica assustada e não sabe como escapar de certas situações. Mas é a partir dessas experiências que aprendemos.

Outra experiência engraçada foi no inverno em Chicago. Já haviam me contado sobre o gelo que derrete no chão e tinha o risco de escorregar. Pensei, “não vai acontecer isso comigo, pois vou tomar bastante cuidado.” Logo que cheguei em Chicago, fui passear para conhecer a cidade toda feliz e serelepe e vi um grupo de três espanhóis lindos. Distraí-me e pumba! Cai de bunda no chão. Claro que os três olharam e disfarçaram a risada.

Enfim, viver essa experiência de viajar sozinha vale à pena e, às vezes, eu até prefiro.

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Sobre o autor

Cris Ralisch

English teacher, paixão imensa pela criançada. Viciada em instagram e filmes. Gosta de entrar no Google e ver lugares não tão conhecidos e cota passagens mesmo sem saber a data e o destino. Tem o vício da viagem tatuado no corpo “Wanderlust” e a rosa dos ventos. Sonha em parar durante dois anos e viajar o mundo inteiro, sem deixar de conhecer um lugar. E com certeza, será sozinha.