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A experiência de viajar sozinha para a Chapada Diamantina

A coluna “Eu vou sozinha” está aqui para quebrar o tabu e inspirar as mulheres a saírem por esse mundo sozinhas – seja para desbravar, para se conhecer, para sair da zona de conforto ou só porque não conseguiu uma companhia para as férias. Vamos entrar na corrente por um mundo mais aberto e respeitador em que todas nós possamos transitar sem esquentar a cabeça! Essa semana, é a vez da Luciana contar suas experiências e explicar porque não pretende parar de viajar sozinha tão cedo:

Em agosto de 2012, fiz a minha grande primeira viagem. Já escolhi de cara Buenos Aires. Fui com uma amiga da faculdade. Marinheira de primeira viagem, fui com uma mala gigantesca, passei 10 dias, totalmente mal aproveitados. Poderia ter conhecido muita mais coisa nesse tempo. Mas ficamos apenas em Buenos Aires. Mas por que estou contando isso aqui? Porque foi nessa viagem que começou tudo e a veia viajante começou a pulsar mais forte.

Fiz mais algumas pequenas viagens pelo caminho e um destino apareceu na minha frente e eu me interessei muito por ele: a Chapada Diamantina. Lembro que comentei com algumas pessoas que estava interessada e se alguém topava em ir comigo. Ninguém topou. Postei em um blog que faria a viagem em junho de 2013 e alguns até se interessaram mas acabaram não fechando nada. Pensei então: por que não viajar sozinha? E decidi isso: minha primeira viagem sozinha seria para a linda Chapada!

Engraçado que eu comentava com as pessoas que iria fazer uma viagem sozinha e alguns me olhavam com cara de espanto, outros achavam demais a ideia e diziam que queria muito fazer isso um dia, tem aqueles que sentem pena (coitada não tem ninguém) e outros que mostravam preocupação. Minha mãe, nesse caso. Ficava me fazendo perguntas do porquê, para quê. Viajar sozinha não é muito comum. Sendo mulher, então. Rola toda aquela preocupação normal mesmo. Mas já estava mais que decidido.

O Parque Nacional da Chapada Diamantina fica na Bahia e a cidade de entrada para o parque é Lençóis. Fica a 425km de Salvador. Isso dá umas 6 horas de viagem. Pesquisei sobre a cidade, li relatos de pessoas em blogs, busquei fotos e também li sobre pessoas que viajaram sozinha para lá. Tudo tranquilo. Fechei os passeios com uma agência, comprei as passagens de avião em promoção e tratei de comprar também as passagens do ônibus.

O dia chegou e embarquei tranquila. Chegando em Salvador já deu aquele friozinho na barriga pois estava em um lugar que eu não conhecia nada nem ninguém. E eu lá, sozinha. Já no aeroporto fui me informar como fazia para ir até a rodoviária e o guarda já me assustou falando para eu tomar cuidado com meu celular. Pensei: meu Deus, onde me meti? Fiquei meio assustada, mas não me abalei. Para ir até a rodoviária, eu precisava tomar um ônibus circular que não chegava nunca. Nisso, a cara de pau típica de pessoas que viajam sozinhas começou a tomar conta de mim. Lá mesmo já conheci um pessoal que ia para a rodoviária em um táxi e perguntei se poderia rachar com eles. Eles toparam numa boa.

Peguei o ônibus e cheguei em Lençóis por volta das 23:00h. Mais uma preocupação: chegar em um lugar que não conheço, à noite ainda. Tinha combinado com o rapaz do hostel dele me encontrar na rodoviária e quem disse que ele estava lá? Enfim, peguei informação e cheguei até o centro da pequena cidade. Por sorte, a agência que eu fechei os passeios estava aberta e lá eles me orientaram como chegar ao hostel. Apesar de ser tarde, a cidade tinha movimento. Fui andando sozinha pelas ruas e já observando como era a cidade. Lençóis é uma cidade tão tranquila, tão receptiva, oferece zero perigo. E eu ali preocupada em ser assaltada. Incrível como a gente carrega o medo da cidade grande conosco.

Nos dias que se passaram, fiz meus passeios com a agência e conheci pessoas incríveis. No meu quarto havia uma senhora que viajava sozinha também. E como eu amei ouvir as histórias de viagem dela. Aquilo me inspirava tanto e eu percebia quanta coisa eu podia fazer e quanto eu ainda tinha a conhecer. Ajudei um casal canadense a fechar um passeio com o guia porque o guia não falava inglês muito bem. Conheci duas pessoas que se conheceram lá e hoje estão casados. Conheci uma canadense filha de brasileira que me contou sobre seu passeio pelo Rio Amazonas. Essas são histórias que eu levarei para sempre comigo. Enfim, tudo que conheci e vivi acredito que foi porque eu estava sozinha. Porque quando você está viajando com alguém, querendo ou não, na maioria das vezes você acaba se fechando àquela companhia.

Em nenhum momento da viagem eu me senti sozinha de verdade. Apenas quando eu optei por isso. E num desses dias que decidi ficar sozinha, eu saí para jantar e fiquei sentada admirando a vida, admirando o céu, as pessoas, a simplicidade das crianças jogando bola na rua e ao mesmo tempo colocava as ideias no lugar e pensava nos meus valores. Viajar sozinha me fez repensar muitas coisas na minha vida. Tem uma música que diz o seguinte: “Os dias que eu me vejo só são dias que eu me encontro mais”. E é exatamente isso, viajar sozinha é se encontrar (ou reencontrar), é se conhecer, é se superar, é saber que você tem capacidade de conquistar o que deseja.

Minha recomendação para mulheres que viajam sozinhas é se informar sobre o lugar, pesquisar a fundo, ler experiências de outras mulheres e questionar sempre. Ficar alerta é sempre importante. Se você já percebe que o local não é tão tranquilo é importante estar sempre atenta. Minha experiência nessa viagem só me deu vontade de explorar novos lugares. Aprendi que posso ser uma companhia ótima para mim mesma. Se você tem companhia, fantástico. Se não tiver, não deixe de lado seus planos por causa disso. Eu amo viajar sozinha e isso é algo que quero fazer muito ainda.

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Chapada Diamantina | Foto: Luciana Rodrigues
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Chapada Diamantina | Foto: Luciana Rodrigues
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Chapada Diamantina | Foto: Luciana Rodrigues
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Chapada Diamantina | Foto: Luciana Rodrigues

Quer compartilhar suas experiências ao viajar sozinha por esse mundão? Entra em contato com a gente. Vamos adorar contar a sua história!

Plot Viagens
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Somos especialistas em planejar viagens e queremos contribuir para que cada vez mais pessoas possam transformar planos em realidade. Aqui no blog compartilhamos histórias, dicas, relatos e inspirações.

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