Xiii, a grana tá curta!

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Quando decidi compartilhar a minha experiência em colunas semanais, não tinha me dado conta da variedade de assuntos que teria que abordar. Na hora pensei em algumas histórias, nas coisas boas de viver do lado de fora das fronteiras brasileiras. No entanto, minha coluna é sobre minha rotina, sobre como é morar de fato em terras estrangeiras e, com ela, vêm os bônus e os ônus. Não estou querendo pintar a imagem de que minha vida é só aperto, mas tem horas que a verdade é uma: a grana tá curta. Seja aqui, no Brasil ou em qualquer lugar do mundo, o balanço financeiro existe e é uma realidade. As contas não deixam de bater à minha porta só porque mudei de endereço.

Planejar bem as viagens, os programas de final de semana e até as compras no supermercado fazem parte da minha vida aqui. Buscando a independência e autossuficiência financeira desde sempre, aqui na Alemanha já fiz um pouco de tudo para conseguir manter a conta sempre no azul. Trabalhei durante alguns meses como diarista na casa de um casal gay e em uma pensão. Não foi um trabalho nada fácil e às vezes nem tão limpo. Não sou do tipo nojentinha não, mas encarar a faxina da nossa própria casa é uma coisa… a da casa dos outros é bem diferente. Mas sem detalhes! A grana é também por hora e pode variar, mas fica em torno de 7-9 euros. Ou seja, não me rendeu muito, mas colocou comida na mesa sim.

Depois disso, me auto promovi a garçonete. Com um pouco mais de segurança para falar o idioma, consegui uma vaga em um restaurante de culinária Latino Americana. E o mais interessante durante esse período não foi o fato de conseguir me fazer entender entre mímicas, erros e acertos do idioma; mas sim a interculturalidade do local. Os atuais donos do restaurante são originalmente do Afeganistão e um dos cozinheiros é marroquino. Ainda, como parte da equipe, temos o lavador de pratos e uma garçonete da Espanha, outra alemã e eu, brasileira. Ainda passaram por lá outras nacionalidades, como francesa e russa. Durante essa experiência aprendi muito e levantei uma boa grana. As garçonetes aqui recebem por hora (7-9 euros) mais as gorjetas. Essas são, normalmente, divididas entre cozinha, bar e garçonete – no entanto, a forma como esta divisão é feita varia muito de acordo com cada local.

Em paralelo a este job fiz alguns estágios. Um como parte obrigatória para a minha pós graduação e outros para manter o bom rendimento financeiro – e, claro, manter a cabeça funcionando. Trabalhei ainda como estudante (werkstudent ou workstudent). Nessa experiência, se trabalha menos que estágio, 20 horas semanais, mas se ganha mais por hora. A diferença é que, como estudante, você faz projetos mais pontuais. Não necessariamente pequenos ou mecânicos. Já elaborei uma longa análise de clientes/ consumidores, com compilação de dados e definição de segmentação. Enfim, se candidatar a estágios é uma outra alternativa para quem precisa de uma renda mensal.

Atualmente, estou em busca de recolocação no mercado. Em paralelo a esta procura, e para tentar aumentar o atual status da minha conta bancária, sou professora de português para alemães. Já exerço essa profissão desde de Junho de 2013 e confesso que adoro! É muito intrigante ver como e porque as pessoas se interessam pela nossa cultura. Assim como eu, que quero mergulhar no mundo afora, há muitos alemães que querem saber mais sobre a gente. Música, dança, idioma, cultura… é lindo de se ver! Emociona e dá orgulho. Como professora, o trabalho é desafiador. A gente fala português, aprendeu na escola, mas ensinar didaticamente é uma tarefa difícil. Estudo nosso idioma para poder ensinar. Estou sempre tentando diversificar, preparando jogos ou trazendo letras de músicas, afinal, quero que o interesse não se acabe (mas essa história fica para um próximo post). O “Lohn” (valor por hora) não paga o empenho que tenho, mas mesmo assim já não quero mais abandonar essa profissão. O valor pode variar de escola para escola de idioma (mas não muito) e, é claro, aulas particulares sempre rendem um pouco a mais.

Eu fazendo a professora na Alemanha | Foto: Bárbara Bayer

Eu fazendo a professora na Alemanha | Foto: Bárbara Bayer

Então, se a grana tá curta, há sempre algo em que você pode trabalhar. Falando ou não o idioma. Com muitas ou poucas habilidades. Não tem muito segredo, afinal somos brasileiros e, se a grana tá curta, a gente arregaça as mangas… não é?

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Sobre o autor

Bárbara Bayer

Relações públicas, viajante de carteirinha e locatária de uma kitnet na Alemanha. Joga amadoramente handball e, quando ninguém está olhando, faz dancinhas bizarras, seja para comemorar, para espantar o frio ou só porque lembrou de uma música que adora. Escreve a coluna Alltag, sobre sua vida em Karlsruhe, na Alemanha.